quinta-feira, 15 de maio de 2014

SUMIU A PLACA DE MANDELA NO TERRENO DA PALMARES DO LAGO PARANOÁ



Em mais um episódio em que demonstra o estado se encontra o terreno doado pelo Governo do Distrito Federal para a realização de Centro de Referência do Negro no Brasil, a cargo da Fundação Palmares, constata-se, agora, o sumiço da placa comemorativa da visita da Nelson Mandela e do então Governador do Distrito Federal, o hoje Senador Christovão Buarque (PT_DF). 



 Como se ve na placa acima, o registro da passagem de Mandela, às margens do Paranoá, foi surrupiado, lesando a população brasileira desse grande momento que foi a visita do grande líder sul-africano Madiba, recentemente falecido.  Graça Santos, personalidade do movimento negro nacional, do Instituto Afrozinga, lembra bem do momento da visita de Madiba e da doação do terreno. "Estive lá e tenho as fotos. É uma perda colossal".


Tive contato com a Embaixadora Dulce Pereira, Presidente da Fundação Palmares, à época dos fatos. "Foi um grande momento a passagem de Mandela em Brasília". 
 O local permanece abandonado mesmo depois de sucessivas denúncias de negociatas para aquisição do terreno por imobiliárias locais. "Queriam trocar por um imóvel na Ceilandia", me disse um integrante do movimento negro que prefere não se identificar. "Porque os assuntos quilombolas não podem ser tratados no Lago do Paranoá, e tem de ser empurrados para longe?"indagou.

Para José Ventura, um dos principais coordenadores do da Frente Nacional Quilombola, o caso demonstra como tem sido tratados os interesses quilombolas no Governo Federal." Se não dão conta de cuidar de um terreno doado para o interesse de afrodescendentes e quilombolas, como vão titular as terras dos remanescentes de quilombos?" perguntou.
O Web Designer Luiz Carlos Gá, do Instituto Aves, que esteve recentemente em Brasília, não recebeu qualquer informação a respeito do abandono do terreno ou do sumiço da placa de Mandela. 


Uma nova polêmica se avizinha, sobre a instalação não mais do Centro de Referencia Negro, mas agora de um Museu do  Negro, com legislação totalmente diferente. Certo é que nada foi feito, e as placas colocadas na lateral do terreno certificam o grande interesse imobiliário.


Já o professor Antônio Gomes da Costa Neto, Gestor Educacional em Brasília, entende que esta omissão beira á omissão administrativa, pois ve o patrimônio  histórico da população afrodescendente esvaindo-se.

Na última gestão da Fundação Palmares, estavam confirmados mais de 350 milhões de reais no orçamento da mesma, para a realização do Centro de Referencia do Negro. Uma maquete era exibida pelo então presidente, como sendo iminente a construção da obra. A troca da guarda no governo Dilma, agora sob o comando da ministra Marta Suplicy, anunciou uma "re-doação" do mesmo terreno (é isso mesmo, uma "re-doação") com grande pompa, auspício, e uma certa dose de "Wood face", pois o terreno já já via sido doado antes, e por conta de sucessivas doses de ineficiência dos pomposos presidentes da entidade, a doação foi rescindida por ausência de edificação no prazo legal, ou seja, não tomaram providências.  Agora com a inédita figura de "re-doado", o terreno segue abandonado, e não fosse a insistência de alguns poucos, já teria sido passado para a iniciativa privada. Na lateral, acaba de ser inaugurado, um gigantesco "Bar do Alemão", defronte ao "Brasília Lake Side", um dos mais caros flats do Distrito Federal. " O que esses quilombolas e negros vão fazer aqui", indagou-me um transeunte, quando viu-me sózinho, andando de lá para cá, no terreno, vazio, após ter explicado que isso seria propriedade da população afrodescendente e quilombola. 

Quando estive no Quilombo dos Ventura, em PATOS DE MINAS, uma das coisas que aqueles brasileiros lá me disseram, era que como era difícil chegar ajuda do estado àqueles que precisam. 


Minha proposta é que todo aquele que tiver algo a resolver em Brasília, passe a montar guarda do terreno da Palmares no Lago PARANOÁ, - "VOU FICAR NO MEU TERRENO EM BRASÍLIA" e que se exija a devolução da placa comemorativa da passagem de Madiba no Planalto Central. E que se cobra à Ministra Marta Suplicy as explicações necessárias para tanto abandono com a história afrodescendente e quilombola no País.  


HUMBERTO ADAMI 
Advogado e mestre em Direito
Diretor de relação Étnicas do IARA Instituto de Advocacia Racial e Ambiental
humbertoadami@gmail.com

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Um comentário:

Luiz Otávio de Brito disse...

Dr Humberto Adami fui expulso de forma injusta do Grupo discriminação Racial mas a luta continua.

Sempre tive Vossa Senhoria como criador do grupo.

Lamentável