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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Racismo na lente do G1

Racismo na lente do G1

O G1 apresenta uma serie de fotos de lindas mulheres tiradas nos jogos da Copa do Mundo.
Sao 96. Apesar de varias seleções africanas participando, a exposição só apresenta a foto de uma única negra, em toda a serie de 96, que varrem cidades brasileiras e do mundo todo, em torno dos jogos da Copa. Treinar enxergar o racismo 'e possibilitar ver isso. Onde estão as musas negras ? Nao viram a Copa? Nao foram aos estádios ? Nao torcem pelas seleções do mundo? Quem torceu por Nigéria, Camarões, Gana, Brasil ? Esse tipo de olhar que ignora negros, esconde negras e desvirtua a realidade, deve ser sempre questionado pois perpetua o racismo e mantém os Resquícios da Escravidao do Negro no Brasil. O racismo esta em quem tira fotos, como tambem em quem edita e escolhe as fotos. Remetam emails para o G1 para que eles possas fazer uma auto avaliacao desta exposição . Tenho certeza que negras lindas de todo o mundo estiveram presentes em todos os jogos e festas. Abaixo o link da exposição do G1 

http://g1.globo.com/fotos/fotos/2014/06/fotos-musas-anonimas-da-copa-do-mundo-2014.html#F1237659

Nao adianta dizer que 'e pela diversidade, que nao tem preconceito, se as fotos desmentem tais assertivas, exatamente como nas pistas da moda no Brasil, nas universidades, nos empregos. Se a câmera nao fotografou mulheres negras em todos os países, a culpa nao 'e da câmera, mas de quem esta por trás dela. Há cerca de 3 meses, o Brasil passou por constrangimento por mandar apenas um escritor negro, numa caravana de 70 escritores brasileiros numa feira de livro em Frankfurt. Há negras lindas torcendo por todos os times do mundo, em todos os estádios . Se a câmera nao achou, a culpa 'e do fotografo, que só viu uma única, em Gana.

Humberto Adami
Advogado e Mestre em Direito
Humbertoadami@gmail.com

Fonte: Blog do Humberto Adami
http://humbertoadami.blogspot.com.ar/2014/06/racismo-na-lente-do-g1_23.html

domingo, 22 de junho de 2014

Racismo na lente do G1

O G1 apresenta uma serie de fotos de lindas mulheres tiradas nos jogos da Copa do Mundo.
Sao 96. Apesar de varias seleções africanas participando, a exposição só apresenta a foto de uma única negra, em toda a serie de 96, que varrem cidades brasileiras e do mundo todo, em torno dos jogos da Copa. Treinar enxergar o racismo 'e possibilitar ver isso. Onde estão as musas negras ? Nao viram a Copa? Nao foram aos estádios ? Nao torcem pelas seleções do mundo? Quem torceu por Nigéria, Camarões, Gana, Brasil ? Esse tipo de olhar que ignora negros , esconde negras e desvirtua a realidade, deve ser sempre questionado pois perpetua o racismo e mantém os Resquícios da Escravidao do Negro no Brasil. O racismo esta em quem tira fotos, como tambem em quem edita e escolhe as fotos. Remetam emails para o G1 para que eles possas fazer uma auto avaliacao desta exposição . Tenho certeza que negras lindas de todo o mundo estiveram presentes em todos os jogos e festas. Abaixo o link da exposição do G1

http://g1.globo.com/fotos/fotos/2014/06/fotos-musas-anonimas-da-copa-do-mundo-2014.html#F1237659

Nao adianta dizer que 'e pela diversidade, que nao tem preconceito, se as fotos desmentem tais assertivas, exatamente como nas pistas da moda no Brasil, nas universidades, nos empregos. Se a câmera nao fotografou mulheres negras em todos os países, a culpa nao 'e da câmera, mas de quem esta por trás dela. Há cerca de 3 meses, o Brasil passou por constrangimento por mandar apenas um escritor negro, numa caravana de 70 escritores brasileiros numa feira de livro em Frankfurt. Há negras lindas torcendo por todos os times do mundo, em todos os estádios . Se a câmera nao achou, a culpa 'e do fotografo, que só viu uma única, em Gana.

Humberto Adami
Advogado e Mestre em Direito
Humbertoadami@gmail.com

sábado, 18 de janeiro de 2014

Crime de racismo



Crime de racismo

O ministro Joaquim Barbosa deve receber uns trocados extras. Ele fez parte do grupo de advogados negros que atuaram no processo contra a Sony por causa da música “Veja os cabelos dela”, de Tiririca, lançada em 1997.
Um trecho:
“Essa nega fede, fede de lascar/bicha fedorenta, fede mais que gambá.” 

De lá pra cá...

A gravadora foi condenada, há dois anos, a pagar uma multa estimada pelos advogados em R$ 1,2 milhão, que irá para um fundo do Ministério da Justiça.
Como a Sony também terá que arcar com as custas do processo, agora se discutem os honorários dos advogados.



http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/posts/2014/01/18/a-coluna-de-hoje-521270.asp

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

LUTA CONTRA O RACISMO: Ana Alakija


03/01/2014


LUTA CONTRA O RACISMO: em artigo vigoroso, Ana Alakija enfrenta a infame campanha racista contra o Presidente do Supremo



"O Brasil dos afro-brasileiros respondeu à altura, lançando a campanha 'Vamos abraçar Joaquim Barbosa e o STF'"



 2013: Será que desta vez caiu o mito?
Ana Alakija
No Brasil tudo acaba em samba. No bom sentido, desde que samba é coisa séria, como dizia o mestre capoeirista baiano Cobrinha Verde. E assim, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa seguiu à risca a letra da cartilha e, com direito à cervejinha, caiu no Samba do Trabalhador, na última tradicional roda de samba do ano de 2013 organizada às segundas-feiras no Clube Renascença, no Andaraí, Rio de Janeiro. O ministro foi recebido como celebridade no local, considerado um reduto da cultura negra.
Isto soa como uma pré-campanha à presidência da República – será o ministro Joaquim Barbosa o próximo primeiro presidente negro do país? Digo isto porque o Brasil, embora um país mestiço, conserva as características pluriraciais de identidades diversas, e com uma grande desvantagem para as identidades africanas e indígenas, com essas populações descendentes à margem do poder político e econômico.
Embora a nação brasileira esteja comemorando ‘apenas’ dez anos de idade em ações afirmativas – política implantada durante a administração de Luis Ignacio Lula da Silva – em dezembro deste ano, o Brasil branco ouviu um Grupo de Trabalho sobre Afro-Descendentes das Nações Unidas , depois de dez dias de visitar a nação brasileira, o que o Brasil negro já sabe desde que o país aboliu o sistema de escravidão, em 1888 : o Brasil não é uma democracia racial.
A conclusão de um Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Afrodescendentes após visita de dez dias à nação brasileira, onde visitou favelas e quilombos de cinco cidades, com autoridades e representantes da sociedade civil, apontou um grande contraste entre a precariedade da situação dos negros e o elevado crescimento econômico do país.
O GT visitou favelas e quilombos de cinco cidades, com autoridades e representantes da sociedade civil, e apontou um grande contraste entre a situação precária dos negros e do elevado crescimento econômico. ” Afro – brasileiros não serão totalmente considerados cidadãos de pleno direito , sem uma justa distribuição do poder econômico , político e cultural “, disse Mireille Fanon (da França ) e Maya Sahli ( Argélia ) , membros desse grupo, como resultados preliminares de sua visita e cujo relatório conclusivo será apresentado em 2014.
Em comunicado à imprensa, divulgado pela Agência Brasil, os especialistas da ONU destacaram que, entre negros e brancos, existem desigualdades de acesso à educação, à justiça, à segurança e aos serviços públicos. O grupo identificou racismo “nas estruturas de poder, nos meios de comunicação e no setor privado”. Segundo os representantes da ONU, apesar de serem metade da população brasileira, os negros estão “subrrepresentados e invisíveis”.
A constatação pela ONU, de que o racismo é um problema estrutural na sociedade brasileira, mostra que o Brasil, para os afro-brasileiros está fazendo a coisa certa. Houve progressos significativos em 2013 no sentido de colidir com esta realidade .
Não apenas no campo executivo oficial , como a aprovação e encaminhamento de projetos de lei nos níveis municipal , estadual e federal instituindo cotas para descendentes africanos em concursos públicos . Mas outras vitórias sob pressão social, como: a introdução do curso de Relações Étnico-Raciais no currículo de universidades federais (essa disciplina é essencial para a formação de professores e profissionais de ensino para a implantação de outras disciplinas como a História da Cultura Africana e Afro-Brasileira nos níveis médio e fundamental do ensino conforme lei aprovada há dez anos e sem funcionamento); e o embargo de recursos públicos para a compra, distribuição e utilização nas escolas de obras de Monteiro Lobato (referência da rede particular de ensino do DF, consideradas tão ofensivas a afrodescendentes quanto a de Mark Twain) “sem que antes se acrescente uma nota técnica sobre racismo à obra ou pelo menos que existam medidas concretas para a capacitação de professores em educação étnico-racial”. Como explica o presidente do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) , Humberto Adami, e o técnico em Educação, Antônio Costa Neto, autores dos mandados judiciais impetrados.
Voltando à cervejinha e o samba desfrutados pelo ministro Barbosa, são bem merecidos . Vítima de bullying e assédio racial (assim como o presidente Obama e as práticas abomináveis republicanas do seu Congresso) desde que ele foi nomeado ministro pelo ex-presidente Lula e, mais tarde eleito presidente do Supremo Tribunal Federal , no estilo do racismo brasileiro e que, mesmo ele próprio não tem como provar a acusação ( a lei brasileira contra o racismo está obsoleta ), o primeiro ministro verdadeiramente negro do STF na história da nação que tem mais da metade da população composta de descendentes africanos, fez cumprido a sua missão.
Após condenação e emissão de ordem de prisão de 25 cidadãos ligados à cúpula do Partido dos Trabalhadores, o chamado caso “Mensalão” – canal através de onde transcorria dinheiro, de forma organizada, para políticos aliados com o objetivo de aprovar matérias do interesse governamental – ele foi vítima de uma campanha encabeçada por “juristas, intelectuais e personalidades da sociedade civil”, que assinaram e publicaram um manifesto na Internet e ainda derramaram artigos e notícias na imprensa contra o que eles consideraram “prisões ilegais”.
O Brasil dos afro-brasileiros respondeu à altura, lançando a campanha “Vamos abraçar Joaquim Barbosa e o STF” através das redes sociais, iniciada em e-black-groups , com o objetivo de apoiar as ações do presidente do Supremo Tribunal Federal do país e a moralização do órgão em sua decisão.





Fonte: Brasil 247 (brasil247.com)

sexta-feira, 8 de março de 2013

LOBATO NO STF: MPF dará parecer

O Ministerio Publico Federal dará parecer sobre o caso do livro "Cacadas de Pedrinho", de Monteiro Lobato, por determinação do Ministro Luiz FUX. O despacho foi publicado ontem pelo STF. Após, o Ministro decidira pedidos do IARA.


Processo: 30952
Publicação do dia: 6/3/2013 00:00:00
Nome Encontrado: INSTITUTO DE ADVOCACIA RACIAL E AMBIENTAL
Detalhamento: SECRETARIA JUDICIARIA
Diário: D.J.DF SEC I - STF
Página: 61
Publicação.: DATA DE DISPONIBILIZAÇÃO DA PUBLICAÇÃO PELA FONTE OFICIAL: 05/03/2013 Pag 0061 MANDADO DE SEGURANCA 30.952 (451) ORIGEM :MS - 30952 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PROCED. :DISTRITO FEDERAL RELATOR :MIN. LUIZ FUX IMPTE.(S) : INSTITUTO DE ADVOCACIA RACIAL E AMBIENTAL IARA E OUTRO(A/S) ADV.(A/S) :HUMBERTO ADAMI SANTOS JUNIOR E OUTRO(A/S) IMPDO.(A/S) :PRESIDENTE DA REPUBLICA ADV.(A/S) :ADVOGADO-GERAL DA UNIAO IMPDO.(A/S) :MINISTRO DE ESTADO DA EDUCACAO IMPDO.(A/S) :PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE EDUCACAO IMPDO.(A/S) :RELATORA DO PROCESSO N 23001000097201026 DA CAMARA DE EDUCACAO BASICA DO CONSELHO NACIONAL DE EDUCACAO LIT.PAS.(A/S) :OUVIDORIA DA SECRETARIA DE POLITICAS DE PROMOCAO DA IGUALDADE RACIAL (SEPPIR) ASSIST.(S) : JOYCE CAMPOS KORNBLUH E OUTRO(A/S) ASSIST.(S) : JERZI MATEUSZ KORNBLUH ADV.(A/S) :NELSON RANALLI E OUTRO(A/S) ::DESTAQUE::PAGINA:: DESPACHO: Ao Ministerio Publico Federal para, nos termos do art. 12 da Lei n 12.016/09, elaboracao de parecer. Apos o retorno, decidirei sobre os recursos (Embargos de Declaracao, Agravo Regimental e Impugnacao) interpostos contra a decisao de 08/10/2012 em que se decidiu a respeito do pedido de ingresso de terceiros como amicus curiae e como assistentes. Publique-se. Brasilia, 1 de marco de 2013. Ministro LUIZ FUX Relator Documento assinado
Fonte : Blog do Humberto Adami

LOBATO NO STF: MPF dará parecer

O Ministerio Publico Federal dará parecer sobre o caso do livro "Cacadas de Pedrinho", de Monteiro Lobato, por determinação do Ministro Luiz FUX. O despacho foi publicado ontem pelo STF. Após, o Ministro decidira pedidos do IARA.


Processo: 30952
Publicação do dia: 6/3/2013 00:00:00
Nome Encontrado: INSTITUTO DE ADVOCACIA RACIAL E AMBIENTAL
Detalhamento: SECRETARIA JUDICIARIA
Diário: D.J.DF SEC I - STF
Página: 61
Publicação.: DATA DE DISPONIBILIZAÇÃO DA PUBLICAÇÃO PELA FONTE OFICIAL: 05/03/2013 Pag 0061 MANDADO DE SEGURANCA 30.952 (451) ORIGEM :MS - 30952 - SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PROCED. :DISTRITO FEDERAL RELATOR :MIN. LUIZ FUX IMPTE.(S) : INSTITUTO DE ADVOCACIA RACIAL E AMBIENTAL IARA E OUTRO(A/S) ADV.(A/S) :HUMBERTO ADAMI SANTOS JUNIOR E OUTRO(A/S) IMPDO.(A/S) :PRESIDENTE DA REPUBLICA ADV.(A/S) :ADVOGADO-GERAL DA UNIAO IMPDO.(A/S) :MINISTRO DE ESTADO DA EDUCACAO IMPDO.(A/S) :PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE EDUCACAO IMPDO.(A/S) :RELATORA DO PROCESSO N 23001000097201026 DA CAMARA DE EDUCACAO BASICA DO CONSELHO NACIONAL DE EDUCACAO LIT.PAS.(A/S) :OUVIDORIA DA SECRETARIA DE POLITICAS DE PROMOCAO DA IGUALDADE RACIAL (SEPPIR) ASSIST.(S) : JOYCE CAMPOS KORNBLUH E OUTRO(A/S) ASSIST.(S) : JERZI MATEUSZ KORNBLUH ADV.(A/S) :NELSON RANALLI E OUTRO(A/S) ::DESTAQUE::PAGINA:: DESPACHO: Ao Ministerio Publico Federal para, nos termos do art. 12 da Lei n 12.016/09, elaboracao de parecer. Apos o retorno, decidirei sobre os recursos (Embargos de Declaracao, Agravo Regimental e Impugnacao) interpostos contra a decisao de 08/10/2012 em que se decidiu a respeito do pedido de ingresso de terceiros como amicus curiae e como assistentes. Publique-se. Brasilia, 1 de marco de 2013. Ministro LUIZ FUX Relator Documento assinado
Fonte : Blog do Humberto Adami

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Racismo de Lobato terá audiência no STF

Qual é a conciliação possível?"
Esta a pergunta que está sendo feita à sociedade civil, para ser levada a audiência de conciliação que o Ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, presidirá no próximo dia 11.09, em Brasília. 
Isto ocorre no Mandado de Segurança n. 30952 - ver aqui -  que foi impetrado por IARA Instituto de Advocacia Racial e Ambiental e Antonio Gomes da Costa, contra a Presidente Dilma Roussef, o Ministro da Educação, e demais autoridades do Conselho Nacional de Educação, por conta das passagens racistas do livro "Caçadas de Pedrinho", de Monteiro Lobato, e a proibição de financiamento de livros didáticos com dinheiro público, inseridas no PNBE Programa Nacional Biblioteca na Escola. 
O PNBE não pode financiar livros didáticos que contenham preconceito e esteriótipo.
A sociedade civil está sendo ouvida pelos autores, sobre as propostas de conciliação, a serem apresentadas ao Ministro Fux. 
O Ministro Mercadante, da Educação, já confirmou presença, já que foi intimado, juntamente com o Advogado Geral da União, o Procurador Geral da República, o presidente do CNE, a relatora do processo administrativo, e o ouvidor da Seppir, onde se iniciou a denúncia de Antonio Gomes. 
Os foruns de discussão se iniciam dia 19.09, em São Paulo, na sede do EDUCAFRO, com Frei Davi; prosseguem no dia 31.08, na sede da OAB / RJ, com a presença do denunciante Antonio Gomes e o advogado Humberto Adami, este também diretor do IARA; e há a possibilidade de ser realizada uma reunião no dia 10.09, no próprio MEC, com a presença dos secretários envolvidos no tema, que discutiriam as linhas de conciliação. 
A Unb - Universidade de Brasilia, poderá realizar um debate no dia 10.09. 
Além do ineditismo da audiência de conciliação no Supremo, a iniciativa possibilita avanços no setor.  
Humberto Adami

domingo, 29 de julho de 2012

ADELAIDE, do Zorra Total, e os limites inaceitáveis. Por Humberto Adami


adelaide

Esse personagem da "Adelaide", do Zorra Total , já ultrapassou o limite do aceitável.


Não há outros personagens negros femininos no programa, e a caricatura só reforça o preconceito contra a mulher negra, pobre e sem trabalho.
Não há escusas para a Rede Globo, nem para o silêncio de grande parte do Movimento Negro brasileiro, e das instituições ligadas ao enfrentamento do racismo no Brasil.
Essas imagens levadas ao plano internacional envergonhariam qualquer nacional.   
A representação ao Ministério Público, acompanhada de eficiente ação de reparação de dano coletivo, nos moldes do Caso Tiririca & SONY, já passou da hora.
Uma insatisfação e um vídeo do quadro do programa pode ser visto aquiAdelaide: o racismo escancarado da Rede GLOBO.
Não há como se fugir ao debate da "liberdade de expressão, censura, e liberdade artística" , que por  certo será levantado, mas sim impor a reparação do dano coletivo, com os rigores de expressiva jurisprudência nacional a respeito. 
A quem o personagem faz rir? 
Àqueles que não se comovem com o sofrimento e a luta das mulheres negras brasileiras.
E que ainda lhe imputam a responsabilidade pela situação de descuido. 
Única personagem negra do programa, a Rede Globo sabe perfeitamente onde quer chegar, tanto que no mesmo quadro, incluiu uma mulher índia, que fica sorrindo o tempo todo, de forma infantilizada, reforçando também o preconceito contra indígenas.

Creio que a Globo se prepara para o debate, já sabendo o que virá por aí.

Na verdade, todo o Capítulo VI do Estatuto da Igualdade Racial, a lei 12.288, abaixo reproduzido, vem sendo desrespeitado.   
   
CAPÍTULO VI
DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO
Art. 43.  A produção veiculada pelos órgãos de comunicação valorizará a herança cultural e a participação da população negra na história do País.
Art. 44.  Na produção de filmes e programas destinados à veiculação pelas emissoras de televisão e em salas cinematográficas, deverá ser adotada a prática de conferir oportunidades de emprego para atores, figurantes e técnicos negros, sendo vedada toda e qualquer discriminação de natureza política, ideológica, étnica ou artística.
Parágrafo único.  A exigência disposta no caput não se aplica aos filmes e programas que abordem especificidades de grupos étnicos determinados.
Art. 45.  Aplica-se à produção de peças publicitárias destinadas à veiculação pelas emissoras de televisão e em salas cinematográficas o disposto no art. 44.
Art. 46.  Os órgãos e entidades da administração pública federal direta, autárquica ou fundacional, as empresas públicas e as sociedades de economia mista federais deverão incluir cláusulas de participação de artistas negros nos contratos de realização de filmes, programas ou quaisquer outras peças de caráter publicitário.
§ 1o  Os órgãos e entidades de que trata este artigo incluirão, nas especificações para contratação de serviços de consultoria, conceituação, produção e realização de filmes, programas ou peças publicitárias, a obrigatoriedade da prática de iguais oportunidades de emprego para as pessoas relacionadas com o projeto ou serviço contratado.
§ 2o  Entende-se por prática de iguais oportunidades de emprego o conjunto de medidas sistemáticas executadas com a finalidade de garantir a diversidade étnica, de sexo e de idade na equipe vinculada ao projeto ou serviço contratado.
§ 3o  A autoridade contratante poderá, se considerar necessário para garantir a prática de iguais oportunidades de emprego, requerer auditoria por órgão do poder público federal.
§ 4o  A exigência disposta no caput não se aplica às produções publicitárias quando abordarem especificidades de grupos étnicos determinados.


Nada disso tem sido respeitado, nem cobrado, por quem devia estar cobrando, de forma institucional. 

Penso que as entidades de mulheres, negras em especial, (mas não apenas essas), possam promover uma representação ao MP, e a ação de reparação de dano coletivo, cujo limites já ultrapassaram o aceitável.  .

Humberto Adami

Advogado
humbertoadami@gmail.com


FONTE: BLOG DO HUMBERTO ADAMI
  http://humbertoadami.blogspot.com.br/2012/07/adelaide-do-zorra-total-e-os-limites.html



Veja aqui episódios do Programa Zorra Total, com a personagem "ADELAIDE":


ADELAIDE A CARA DA RIQUEZA Zorra Total - 12 05 2012

http://www.youtube.com/watch?v=oOHa0IRu5e8



Zorra Total - Adelaide pede dinheiro aos passageiros. 19/05/12

http://www.youtube.com/watch?v=IVdHnBJwyR4

Adelaide 30/06/2012 Completo HD Zorra Total

http://www.youtube.com/watch?v=-CZYgirfd8s&feature=related

sexta-feira, 20 de julho de 2012

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Obra infantil de Monteiro Lobato causa polêmica por racismo - Correio Braziliense 03.07.2012




03/07/2012 - Atualizado em 03/07/2012

Obra infantil de Monteiro Lobato causa polêmica por racismo






Livro Caçadas de Pedrinho está sob mandado de segurança
As histórias infantis de Monteiro Lobato estão dando o que falar. E não é porque são grandes clássicos da literatura. O tema em pauta é o racismo. Em 2010, a obra Caçadas de Pedrinho foi acusada de possuir teor racista pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que recomendou que o livro não fosse distribuído pelo governo nas escolas públicas. Posteriormente, a relatora do caso voltou atrás e decidiu que cada professor deveria dar explicações sobre o preconceito presente no livro para os alunos. Depois disso, o Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) junto com o mestre em educação Antonio Gomes da Costa Neto entraram com um mandado de segurança contra o livro Caçadas de Pedrinho e contra o relatório do CNE. O embate pode estar prestes a acabar, já que há uma reunião de conciliação marcada para setembro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 


A discriminação estaria presente, entre outras passagens, no tratamento da personagem Tia Nastácia e de animais como o macaco e o urubu. Uma das frases do livro diz: "Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão". O livroCaçadas de Pedrinho retrata o momento em que o Marquês de Rabicó encontra uma onça rondando o Sítio do Picapau Amarelo. Pedrinho, Narizinho, a boneca Emília e Rabicó decidem caçar o bicho, escondidos de Dona Benta e Tia Anastácia, que seriam contra a ideia. Durante a expedição, eles conhecem Quindim, um rinoceronte que fala, e o trazem para viver no sítio. Mandado de segurança O caso começou quando Antonio Gomes da Costa Neto fazia mestrado na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB). O foco dele estava em políticas públicas e etnico-raciais. Antonio concluiu que não haviam medidas concretas para o tratamento de livros que continham passagens racistas. “O livro estava no programa nacional Biblioteca nas Escolas. Pedimos uma análise do conselho de educação do DF, mas nada foi feito. É por isso que levamos o caso para o CNE”, explica. Antonio fez uma análise detalhada do livro e encontrou 20 passagens contendo racismo. Antonio Neto esclarece que o objetivo não era que Caçadas de Pedrinho fosse censurado ou banido. O que eles pediam, mas a Editora Globo não aceitou, era que a nova edição da obra trouxesse uma explicação sobre racismo. “Na época que o livro foi escrito, por volta de 1924, racismo não era crime, mas hoje há lei para isso. A 3ª edição, de 2009, veio de acordo com a nova ortografia e trouxe explicações sobre legislação ambiental, já que há uma caça à onça na história que hoje seria proIbida. Por que, então, não trouxe explicação sobre legislação racial?”, questiona Antonio. Ele critica também a segunda posição do CNE: “Essa resolução transfere a responsabilidade para o professor da educação básica, muitas vezes, sem preparo para lidar com o tema”. O advogado do caso, Humberto Adami, explica que “se esse tipo de pensamento for repetido nas escolas, vai alimentar o racismo no Brasil. Não é certo o governo financiar obras com conteúdo preconceituoso”. Ele conta que o ministro da Educação, Fernando Haddad, não homologou a primeira decisão do Conselho Nacional de Educação, de suspender a obra das escolas. “O CNE mudou de posição por pressões. Queremos que o livro não seja financiado com dinheiro público do jeito que está. São quase R$ 6 milhões gastos com um livro racista”, comenta o advogado. Por causa dessas complicações, Antonio Gomes da Costa Neto e o Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) entraram com um mandado de segurança contra o livro e contra o relatório do CNE. Conciliação A polêmica sobre o livro pode acabar em setembro, quando haverá uma reunião de conciliação, convocada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) Vai acontecer no dia 11 de setembro de 2012, às 19h30, no STF uma audiência de conciliação ao mandado de segurança 30.952 que trata do suposto racismo no livro Caçadas de Pedrinho. Estarão presentes o Ministro de Estado da Educação, o Advogado-Geral da União, autoridades do Conselho Nacional de Educação, além de outros interessados no caso. Antes da reunião, acontecerá uma série de palestras e fóruns para debater o caso com especialistas e com a população. O primeiro deles, já marcado, vai ser em 9 de agosto: uma palestra com Frei David, do Educafro (Educação para Afrodescendentes e carentes). Especialistas Há opiniões divergentes sobre o caso. Em Monteiro Lobato: livro a livro, Marisa Lajolo e João Luís Ceccantini, fazem uma análise frase a frase de toda a bibliografia de Lobato. O livro traz também cartas de leitores, entrevistas e outros elementos para esclarecer a construção de textos pelo autor. O livro conclui que Monteiro Lobato não colocou teor racista na obra, mas sim fez reflexões sobre a realidade do Brasil, usando humor e ironia. “A obra de Lobato não insufla racismo, tampouco reflete atitudes preconceituosas. Ao contrário, condena-as. Dona Benta repreende Emília quando falta ao respeito com Tia Nastácia”, exemplifica Marisa Lajolo, pós-doutora em literatura comparada e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Universidade Federal de Campinas (Unicamp). Para ela os negros são vistos com carinho na obra: “Tia Nastácia e Tio Barnabé - negros que figuram como personagens e às vezes protagonistas da obra infantil lobatiana, são representados com respeito e afeto”.De acordo com Marisa, as críticas a obra de Monteiro Lobato ocorre porque ele questionou os valores de seu tempo: “ O extraordinário valor da obra lobatiana decorre de sua capacidade de retratar - de forma crítica, divertida e irreverente - o quadro de valores então vigente. Esta sua independência tem custado ao autor censura de diferentes segmentos sociais: da igreja católica ao estado novo, mas Lobato sobrevive!” Já Regina Dalcastagnè especialista em narrativa brasileira contemporânea e professora do Departamento de Literatura da UnB considera Monteiro Lobato um ator racista: “Monteiro Lobato é racista. Não é uma declaração aqui ou ali, está em toda a obra dele. Não há como discutir se ele é ou não racista pois é explícito em sua literatura”. Regina explica que a escritora Ana Maria Gonçalves fez uma análise profunda da vida do autor por meio das cartas que ele escrevia. Algumas dessas cartas eram direcionadas ao médico diretor da Sociedade Eugênica de São Paulo, instituição de 1913 que pregava a eliminação dos negros por meio do “branqueamento” da população. “Monteiro Lobato se expressava de modo eufórico a favor da eugenia (eliminação dos negros e branqueamento do povo). As pessoas não gostam de admitir que ele era preconceituoso porque construíram uma imagem fantasiosa desse autor na cabeça, por ser ele criador de obras clássicas infantis, como Sítio do Picapau Amarelo”, critica Regina. Ela considera que o Ministério da Educação deve investir dinheiro em outras obras: “Esse é um livro ultrapassado e preconceituoso. Tem tanta obra mais moderna e interessante por aí precisando de apoio que seria muito melhor para as crianças”. 

Correio Braziliense, 03.07.2012, Notícias. EU-Estudante



FONTE: BLOG DO HUMBERTO ADAMI
http://humbertoadami.blogspot.com.br/2012/07/obra-infantil-de-monteiro-lobato-causa.html