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sábado, 18 de janeiro de 2014

Crime de racismo



Crime de racismo

O ministro Joaquim Barbosa deve receber uns trocados extras. Ele fez parte do grupo de advogados negros que atuaram no processo contra a Sony por causa da música “Veja os cabelos dela”, de Tiririca, lançada em 1997.
Um trecho:
“Essa nega fede, fede de lascar/bicha fedorenta, fede mais que gambá.” 

De lá pra cá...

A gravadora foi condenada, há dois anos, a pagar uma multa estimada pelos advogados em R$ 1,2 milhão, que irá para um fundo do Ministério da Justiça.
Como a Sony também terá que arcar com as custas do processo, agora se discutem os honorários dos advogados.



http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/posts/2014/01/18/a-coluna-de-hoje-521270.asp

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

LUTA CONTRA O RACISMO: Ana Alakija


03/01/2014


LUTA CONTRA O RACISMO: em artigo vigoroso, Ana Alakija enfrenta a infame campanha racista contra o Presidente do Supremo



"O Brasil dos afro-brasileiros respondeu à altura, lançando a campanha 'Vamos abraçar Joaquim Barbosa e o STF'"



 2013: Será que desta vez caiu o mito?
Ana Alakija
No Brasil tudo acaba em samba. No bom sentido, desde que samba é coisa séria, como dizia o mestre capoeirista baiano Cobrinha Verde. E assim, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa seguiu à risca a letra da cartilha e, com direito à cervejinha, caiu no Samba do Trabalhador, na última tradicional roda de samba do ano de 2013 organizada às segundas-feiras no Clube Renascença, no Andaraí, Rio de Janeiro. O ministro foi recebido como celebridade no local, considerado um reduto da cultura negra.
Isto soa como uma pré-campanha à presidência da República – será o ministro Joaquim Barbosa o próximo primeiro presidente negro do país? Digo isto porque o Brasil, embora um país mestiço, conserva as características pluriraciais de identidades diversas, e com uma grande desvantagem para as identidades africanas e indígenas, com essas populações descendentes à margem do poder político e econômico.
Embora a nação brasileira esteja comemorando ‘apenas’ dez anos de idade em ações afirmativas – política implantada durante a administração de Luis Ignacio Lula da Silva – em dezembro deste ano, o Brasil branco ouviu um Grupo de Trabalho sobre Afro-Descendentes das Nações Unidas , depois de dez dias de visitar a nação brasileira, o que o Brasil negro já sabe desde que o país aboliu o sistema de escravidão, em 1888 : o Brasil não é uma democracia racial.
A conclusão de um Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Afrodescendentes após visita de dez dias à nação brasileira, onde visitou favelas e quilombos de cinco cidades, com autoridades e representantes da sociedade civil, apontou um grande contraste entre a precariedade da situação dos negros e o elevado crescimento econômico do país.
O GT visitou favelas e quilombos de cinco cidades, com autoridades e representantes da sociedade civil, e apontou um grande contraste entre a situação precária dos negros e do elevado crescimento econômico. ” Afro – brasileiros não serão totalmente considerados cidadãos de pleno direito , sem uma justa distribuição do poder econômico , político e cultural “, disse Mireille Fanon (da França ) e Maya Sahli ( Argélia ) , membros desse grupo, como resultados preliminares de sua visita e cujo relatório conclusivo será apresentado em 2014.
Em comunicado à imprensa, divulgado pela Agência Brasil, os especialistas da ONU destacaram que, entre negros e brancos, existem desigualdades de acesso à educação, à justiça, à segurança e aos serviços públicos. O grupo identificou racismo “nas estruturas de poder, nos meios de comunicação e no setor privado”. Segundo os representantes da ONU, apesar de serem metade da população brasileira, os negros estão “subrrepresentados e invisíveis”.
A constatação pela ONU, de que o racismo é um problema estrutural na sociedade brasileira, mostra que o Brasil, para os afro-brasileiros está fazendo a coisa certa. Houve progressos significativos em 2013 no sentido de colidir com esta realidade .
Não apenas no campo executivo oficial , como a aprovação e encaminhamento de projetos de lei nos níveis municipal , estadual e federal instituindo cotas para descendentes africanos em concursos públicos . Mas outras vitórias sob pressão social, como: a introdução do curso de Relações Étnico-Raciais no currículo de universidades federais (essa disciplina é essencial para a formação de professores e profissionais de ensino para a implantação de outras disciplinas como a História da Cultura Africana e Afro-Brasileira nos níveis médio e fundamental do ensino conforme lei aprovada há dez anos e sem funcionamento); e o embargo de recursos públicos para a compra, distribuição e utilização nas escolas de obras de Monteiro Lobato (referência da rede particular de ensino do DF, consideradas tão ofensivas a afrodescendentes quanto a de Mark Twain) “sem que antes se acrescente uma nota técnica sobre racismo à obra ou pelo menos que existam medidas concretas para a capacitação de professores em educação étnico-racial”. Como explica o presidente do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) , Humberto Adami, e o técnico em Educação, Antônio Costa Neto, autores dos mandados judiciais impetrados.
Voltando à cervejinha e o samba desfrutados pelo ministro Barbosa, são bem merecidos . Vítima de bullying e assédio racial (assim como o presidente Obama e as práticas abomináveis republicanas do seu Congresso) desde que ele foi nomeado ministro pelo ex-presidente Lula e, mais tarde eleito presidente do Supremo Tribunal Federal , no estilo do racismo brasileiro e que, mesmo ele próprio não tem como provar a acusação ( a lei brasileira contra o racismo está obsoleta ), o primeiro ministro verdadeiramente negro do STF na história da nação que tem mais da metade da população composta de descendentes africanos, fez cumprido a sua missão.
Após condenação e emissão de ordem de prisão de 25 cidadãos ligados à cúpula do Partido dos Trabalhadores, o chamado caso “Mensalão” – canal através de onde transcorria dinheiro, de forma organizada, para políticos aliados com o objetivo de aprovar matérias do interesse governamental – ele foi vítima de uma campanha encabeçada por “juristas, intelectuais e personalidades da sociedade civil”, que assinaram e publicaram um manifesto na Internet e ainda derramaram artigos e notícias na imprensa contra o que eles consideraram “prisões ilegais”.
O Brasil dos afro-brasileiros respondeu à altura, lançando a campanha “Vamos abraçar Joaquim Barbosa e o STF” através das redes sociais, iniciada em e-black-groups , com o objetivo de apoiar as ações do presidente do Supremo Tribunal Federal do país e a moralização do órgão em sua decisão.





Fonte: Brasil 247 (brasil247.com)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Campanha “Vamos abraçar Joaquim Barbosa” ganha força nos nas redes sociais

Campanha “Vamos abraçar Joaquim Barbosa” ganha força nos nas redes sociais

01---JOAQUIM-NELES

Boston (Estados Unidos) – A campanha “Vamos abraçar Joaquim Barbosa e o STF” – lançada através de e-black-groups brasileiros, com o objetivo de apoiar as ações do presidente do Supremo Tribunal Federal do pa – o ministro Joaquim Barbosa – e a moralização do STF, ganha força e alcance nas redes sociais.

Protagonista de uma polêmica gerada em torno da condenação e emissão de ordem de prisão de 25 cidadãos principalmente da cúpula do Governo do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, a exemplo do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) José Genoino e o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares – o chamado caso “Mensalão”, canal através de onde transcorria dinheiro, de forma organizada, para políticos aliados ao Governo com o objetivo de aprovar matérias do interesse governamental – o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Joaquim Barbosa, desde o mês passado, vem sendo vítima de uma campanha encabeçada por “juristas, intelectuais e personalidades da sociedade civil”, que assinaram e publicaram um manifesto na Internet e ainda derramam artigos e notícias na imprensa contra o que eles consideram “prisões ilegais” dos julgados e condenados – “ um erro inadimissível que comprometeria a reputação do Supremo Tribunal Federal”.

O manifesto tem sido utilizado de diversas formas como tentativa de criar um clima de comoção sobre a forma como ocorreram as prisões dos condenados – no dia 15 de novembro, data de celebração da proclamação da República, com o objetivo pessoal do ministro Barbosa se promover e não de acordo com a Justiça – e poderia se constituir numa peça para provocar um “ impeachment” do presidente do STF no país, caso inédito na nação.

A campanha com o intuito de desmoralizar a segunda maior autoridade da nação terminou por revelar um viés racial – um retrato do que pensa a elite do poder econômico da sociedade brasileira, e teve imediata repercussão em setores “negros” e também “não-negros” que enxergaram racismo na atitude dos que fizeram o manifesto, querendo imputar ao presidente do STF – o primeiro presidente do segundo poder do país, reconhecidamente negro na história da nação que tem mais da metade da população constituída de afro-descendentes com a maioria excluída ou insignificantemente representada do ponto de vista numérico nas esferas do poder econômico, político e social – a responsabilidade única sobre o destino prisionário dos condenados. Poupando os demais ministros, “abrancalhados brasileiros”, que votaram a seu lado pela condenação dos envolvidos.

Série "Faça a coisa certa", do designer Ga

Série “Faça a coisa certa”, do designer Ga ilustra a campanha “Vamos abraçar Joaquim Barbosa”

É que a população de matriz  africana no país está cansada de lutar contra um racismo incrustrado e sistêmico que perdura há mais de 500 anos, desde que o Brasil foi conquistado e importou como mão de obra escrava a população africana e desta ela descendeu. Ainda que a nação brasileira seja no cenário atual uma das mais avançadas em termos de políticas de ações afirmativas entre os países da América Latina, com programas e ações desenvolvidas em diversos setores, como educação, saúde, agrária-ambiental, trabalho, segurança, gênero e outros.

A atitude da condenação e a prisão dos acusados teve a concordância de 87% da população brasileira, segundo recente pesquisa de um dos órgãos da grande mídia de maior credibilidade no país, a Data Folha, o que significa que a população quer de fato mudanças na forma de fazer política brasileira e que nem o PT – partido socialista dos trabalhadores que introduziu grandes mudanças no perfil socio-econômico brasileiro com as suas políticas sociais e ações afirmativas – estaria isento de responder à Justiça por seus atos equivocados para fazer a transformação social (do tipo “os fins justificam os meios”). Entre o próprio PT, a pesquisa obteve 78% de favorabilidade às ações do ministro Joaquim Barbosa.

 

O ministro – O ministro Joaquim Barbosa vem de uma origem humilde. Estudou em colégios públicos, foi arrimo de família e com esforço próprio e inteligência bacharelou e fez mestrado em Direito de Estado na Universidade de Brasília, mestrado e doutorado em Direito Público pela Universidade de Paris e estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Áustria e na Alemanha. É fluente em francês, inglês, alemão e espanhol. Tem uma carreira ascendente brilhante ocupando cargos públicos em instituições públicas brasileiras.

As suas firmes posições como presidente no Tribunal fogem à lógica de como o sistema de privilégios sempre funcionou, sendo contra, por exemplo ao “fura-fila” de processos e despachos e defende prerrogativas de julgamento de certas questões, como o trabalho escravo, pela justiça federal.

Foi nomeado ministro do STF pelo ex-presidente Lula em 2003 e eleito presidente do STF em 2012. E nem por isso passou a mão na cabeça da cúpula do partido. Não é a toa que foi eleito este ano pela revista Time, como uma das cem pessoas mais influentes do mundo.

 

 

Campanha ‘Vamos abraçar Barbosa’ – A campanha “Vamos abraçar Joaquim Barbosa e o STF” surgiu no e-black-group “Discriminação Racial” e é de iniciativa do advogado Humberto Adami, co-fundador do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental – IARA – e vice presidente da Comissão Nacional da Igualdade do Conselho Federal da OAB e prevê uma petição on line “a ser assinada por todos aqueles que repudiam a campanha desonesta, vil, e evidentemente racista, contra um brasileiro que tem cumprido fielmente suas obrigações constitucionais, e trazido orgulho, de norte a sul do pais, para a população brasileira”.

O IARA tem empunhado e levado bandeiras históricas do movimento negro brasileiro a instâncias superiores judiciais, a exemplo do recurso impetrado no Supremo para que o Ministério da Educação (MEC) cesse a distribuição de uma das obras do escritor Monteiro Lobato nas escolas da rede pública por veicular textos eugênicos (a obra de Lobato estaria para o Brasil tanto quanto a obra de Mark Twain estaria para a nação norte-americana); um mandado de segurança ajuizado contra a presidenta da República Dilma Roussef e 44 Reitores de Universidades Federais exigindo a implementação da lei 10.639/2003 que após dez anos de criada não conseguiu garantir que as matérias História da África e Cultura Afrobrasileira façam parte dos currículos da educação básica e da formação dos professores do país; e pedido de auditoria, no Tribunal de Contas da União, junto à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal dos Deputados, sobre o Programa Brasil Quilombola coordenado pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial-SEPPIR, que compreende a identificação e regularização fundiária de comunidades remanescentes.

Com banners diversos que carregam a marca da série “Faça  a Coisa certa” do designer Ga, a campanha “Vamos abraçar Joaquim Barbosa e o STF” incentiva que os banners sejam copiados e colados em blogs, websites e até mesmo impressos , fomentando ainda a discussão e ações em prol da igualdade racial “perante a lei, a justiça, os homens e as mulheres”. | Por Ana Alakija

 

 

 

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