terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ação Afirmativa, Injustiça Insuspeita

Digestivo Cultural

Ação Afirmativa, Injustiça Insuspeita

Duanne Ribeiro

Estou prestes a concordar com racistas. Ou quase. Estou prestes a concordar com supostos racistas que foram vítimas de racismo. Ou quase. O assunto é mais complicado do que pode parecer à superfície: os estúdios Marvel incluíram, em Thor, um deus nórdico porém negro. Um grupo americano de conservadores se enfureceu: "Parece que a Marvel acredita que o povo branco não deve ter nada que é único dela. O filme (...) dará aos deuses de Asgard uma maquiagem multicultural que é um insulto". Essas pessoas estão certas.

Não totalmente certas, é claro. O assim chamado povo branco se coloca como despojado de tudo o que tem, mas esse simplesmente não é o caso. Como um manifesto antiracista dispôs no ano passado, os "brancos" possuem muitos privilégios e coisas só suas, entre elas, poder "abrir revistas e jornais e estar seguro de ver muitas pessoas parecidas", ver na "televisão pessoas de minha raça em grande número e em posições sociais confortáveis, o que me dá perspectivas" e conhecer, logo na escola, "heróis e obras feitas por pessoas da minha raça". É precisamente por esse estado social que se defende mais negros na mídia ou a inclusão da história da áfrica nas escolas, indo além de uma visão de mundo europeia. E é o que parece que os produtores de Thor estão fazendo, uma ação afirmativa. Mas não estão.

Os conservadores acertam quando falam de insulto. Considere um orixá branco aparecendo improvável em uma adaptação de Jorge Amado. Guardadas as diferenças históricas citadas, soa como se algo muito próprio de alguém tivesse sido roubado. O povo ancestral de quem surgiram essas crenças acreditava em deuses que lhe eram semelhantes. Tolo quanto possa parecer, pouco relacionados aos nórdicos quanto possam ser, é justo que esses americanos se sintam ofendidos. Se enxergamos racismo incrustrado na mídia pela onipresença branca, é porque entendemos que esse povo está espoliado de algo que é importante. Se queremos que haja liberdade de culto e reconhecimento para o candomblé e a umbanda, é pelo cárater único dessa cultura. Há algo na mitologia nórdica a que alguém possa se referir orgulhoso, e esse alguém não quer que isso seja transfigurado de qualquer forma.

Podemos, no entanto, pensar que essa é uma ação afirmativa ainda mais corajosa e potente, por esses mesmos motivos, por ousar uma mudança em algo tão consolidado. É uma ideia. Outra é que seja uma atitude quase apolítica da Marvel, benigna porque indica a passagem de um estado de coisas em que isso era problemático e agora é só uma questão de elenco. O ator que interpreta o asgardiano negro, Idris Elba, foi nesta direção: "é um sinal do futuro. Uma forma de não incluir alguém de sua raça apenas por preencher uma cota, ou para não parecer ofensivo". Quanto de verdade há nessas duas ideias?

A indústria não confronta ninguém

Nada. Não é um golpe em preconceito algum a alteração da cor de pele de um deus nórdico em um filme adaptado de histórias em quadrinhos. O caso é outro quando a arte mexe com valores estabelecidos. Em O Auto da Compadecida, vemos um Jesus negro - e essa é uma cena política, esmaecendo diferenças de raça e livrando o Cristo da aparência europeia que os séculos lhe impuseram. A história chega a dizer que o deus se veste de muitas formas, de modo a testar os fiéis. A ideia é clara: a bondade deve ser geral - humana, simplesmente.

Além disso, é de pouco valor que Hollywood inclua negros em seus elencos. A indústria do cinema não confronta a ideologia social de época, como diz João Moreira Salles: "o cinema industrial não é liberal nem conservador, pois não pode se dar ao luxo de ser nem uma coisa nem outra. A grande sabedoria da indústria do entretenimento é intuir o que pode ou não ser dito em determinado momento". Moreira Salles, por exemplo, desmente a crença de que um filme como Milk - A Voz da Igualdade, com seu protagonista homossexual, seja mesmo uma obra a lutar por igualdade. Ou que Brokeback Mountain de fato confronte o machismo e a homofobia. Ambos se encontram adequados a uma estrutura, e são feitos de tal forma a amenizar seu poder de choque, a começar pela escolha de atores - heterossexuais além de toda suspeita. No que se refere à abertura maior ou menor aos negros, o crítico afirma:

"(...) atores negros, hoje eles estão entre os mais bem pagos e mais poderosos nomes de Hollywood. Mesmo em relação a eles, porém, existe uma barreira praticamente intransponível. (...) Negros não podem tomar para si mulheres brancas, salvo em filmes militantes e independentes, como os de Spike Lee - e, mesmo nesses casos, o sexo inter-racial não é um acontecimento banal da vida, mas o centro da trama narrativa. (...) Na direção contrária a barreira racial inexiste. Mulheres brancas não podem ser seduzidas ou amadas por homens negros; já homens brancos não enfrentam a mesma proibição."

Muito mais poderia ser dito: a manutenção da "pureza" de contato entre as raças é constante desde os primórdios de Hollywood, notável em O Nascimento de um Nação (1915) ou nos filmes em que, pela Política da Boa Vizinhança, americanos contracenavam com brasileiros e latinos variados. Também se poderia citar que os negros que surgem nas telas são estrelas consolidadas, e sempre as mesmas. Thor não fere ideologia nenhuma nem foge à regra.

Monteiro Lobato, Mark Twain e Agatha Christie

A inclusão de um negro em Thor é mecânica e não significa nada em termos de afirmação de uma raça, e é cega a ponto de desprezar o que há de único em uma cultura para se por a máscara da pluralidade. De toda forma, a polêmica gerada indica tensões sempre presentes nas questões raciais; e também nos remete à problemática que há entre arte e as exigências políticas e sociais de uma época. Tivemos exemplos disso nos últimos meses: a "censura" a Monteiro Lobato pelo tratamento racista que o autor dispensa a uma personagem; a edição de livros de Mark Twain, retirando-se termos ofensivos que o autor emulou, de propósito, do preconceito de seu tempo; e a troca do nome de uma das obras de Agatha Christie - O Caso dos Dez Negrinhos já não é; agora se chama E Não Sobrou Nenhum.

Não pretendo interpretar aqui se essas ações funcionam como pretendem, ou se se encerram em jogo de cena como vimos em Thor, mas o que vocês acham? Por um lado, é necessário dar espaço a quem seja invisível em uma sociedade, ou, como Lázaro Ramos disse, retratar "os personagens não-oficiais que fazem parte da história não-oficial". Por outro, o remédio afirmativo de ontem é o gerador de injustiças insuspeitas hoje. No agora, o que é efetivo?

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Onde Você Guarda o seu Racismo? Autor: César Augusto Baldi

Um dos melhores textos que vi examinando a polêmica sobre o livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, iniciada na Ouvidoria da SEPPIR, e que maneja com maestria a questão jurídica aplicável; o livro didático; e as reações da sociedade brasileira ao parecer do Conselho Nacional de Educação, cuja convocação para o assunto prosseguirá em fevereiro/2011.

Humberto Adami

Ouvidor da Secretaria de Políticas de

Promoção da Igualdade Racial

Presidência da República

Esplanada dos Ministérios, Bloco A, 9º Andar - 70.054-906 - Brasília (DF)

Telefone: (61) 3411-3695/4978

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Onde Você Guarda o seu Racismo?

Autor: César Augusto Baldi

Artigo publicado na 28ª edição do Jornal Estado de Direito

Um parecer do Conselho Nacional de Educação- praticamente não lido e tampouco citado corretamente- causou muita polêmica pelo que foi considerado um veto à utilização, nas escolas, do livro “Caçadas de Pedrinho”, por seu conteúdo considerado racista. O parecer, contudo, não determinava qualquer censura ou veto. Estabelecia, ao contrário, que: a) o MEC deveria respeitar os critérios que ele mesmo determinou para escolha dos livros, um deles o de evitar a disseminação de estereótipos e preconceitos; b) as políticas públicas deveriam formar professores capazes de lidar pedagógica e criticamente com obras clássicas que apresentassem estereótipos raciais; c) um estudo introdutório, tal como já existente no livro a respeito da questão ambiental, poderia incluir os estudos sobre a questão racial na literatura; d) a Secretaria de Educação orientasse escolas sobre implementação de diretrizes curriculares para educação de relações étnico-raciais e práticas pedagógicas correspondentes; e) as ações fossem realizadas em conjunto com o corpo docente e comunidade escolar; f) a literatura não está fora dos conflitos, tensões e hierarquias sociais e raciais “nas quais o trato à diversidade se realiza”.

O parecer é interessante muito mais pelas reações contrárias.

ONU, Martine Perret

Primeiro, porque reafirmou-se a ideia de “harmonia social”, de país de um profunda “convivência entre as etnias”, de verdadeira “democracia racial”, em que não se poderia deixar insuflar o ódio e a sede de vingança. Ignora-se, com isto, toda uma discussão que envolve: a) a interseccionalidade entre raça, classe, gênero, sexualidade, espiritualidade e colonialismo, mostrando as profundas mesclas entre distintas discriminações; b) o silenciamento de que inexiste uma “especificidade histórica” como algo isolado de um contexto internacional de distribuição desigual de hierarquias, em que o racismo é um componente estrutural; c) o reconhecimento de que a miscigenação não significa igualdade social nem ausência de hierarquias e assimetrias de poder. Como foi possível ao Brasil, “democracia racial”, cordial e absolutamente “integrado”, reproduzir relações tão desiguais e hierárquicas, em que, por exemplo, a percentagem de negros com grau universitário do Brasil em 2001 ( 2,5%) foi atingida nos EUA em 1947, em plena era de segregação racial, e era similar à da África do Sul em 1995, quando recém encerrado o período do apartheid?

Segundo, porque, ao discutir se Lobato era ou não racista, procuram vincular o racismo ao momento em que o livro foi escrito. É a tese de que, no Brasil, ou não existe racismo ou ele é um problema de pouca importância. Ao contrário: o racismo não “era” uma mentalidade presente naquele tempo, mas sim uma realidade que permanece presente na sociedade, em especial numa elite que

se imagina não preconceituosa e “formadora de opinião”. Basta ver, inclusive, as poucas condenações judiciais para reprimir uma prática que a Constituição reputou crime inafiançável e imprescritível, ou mesmo que piadas de cunho evidentemente discriminatório seja vistas apenas como “de mau gosto.” Sem falar na “coincidência” entre violência policial e vitimização negra.

Terceiro, porque as críticas passaram ao largo da necessidade de discutir como implementar uma educação crítica, antirracista e descolonizadora, bem como trabalhar a “transversalidade” do ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. Aliás, exigências legais e constitucionais. Afinal, não dizia respeito à adoção e leitura de um livro? Uma resistência que é não somente em relação ao conteúdo, mas também ao próprio estatuto epistemológico destes conhecimentos. Do que se trata é, também, de uma luta por justiça social e histórica, aliada à “justiça cognitiva”.

Quarto, porque não se trata de importação de “politicamente correto”, nem de multiculturalismo “servil”. Tanto os movimentos indígenas quanto negros têm dinamizado o processo de reconhecimento da diversidade cultural, insistindo na plurinacionalidade, na interculturalidade e no constitucionalismo de nova feição, ao mesmo tempo em que vão ampliando a “gramática” dos direitos humanos, com a inclusão do “sumak kawsay” ( quéchuas e aimaras), da “amefricanidade” ( Lélia Gonzalez) e “quilombismo” ( Abdias do Nascimento). Novas visões de direitos humanos têm exigido um novo léxico para repensar as questões do nosso tempo. Ignorar esta rica discussão é continuar silenciando, invisibilizando e descartando como inovadoras e credíveis iniciativas destas comunidades, que conseguiram pressionar para que o processo constitucional incluísse demandas tanto no campo cultural ( arts. 215 e 216, CF), quanto no reconhecimento de sociodiversidade ( arts. 231- 232, CF e art. 68-ADCT). Não se trata, portanto, de “guetização” e autonomia de culturas, mas de uma nova articulação entre igualdade e diferença, superando o padrão hegemônico ( branco, ocidental, adulto, proprietário, masculino, heterossexual). É a continuação de uma luta contra todas as formas de racismo, sexismo e colonialismo; no caso da população negra, uma segunda ( ou verdadeira) abolição.

Momentos como este podem possibilitar uma reavaliação dos diversos tipos de racismos e preconceitos, seja contra índios, seja contra negros. A apologia da “mestiçagem” e mesmo da inexistência de “raças” não impediu- nem tem impedido- a prática do racismo constitucionalmente reprimida ( art. 5º, XLII, CF). É obrigação de todos os Poderes, em toda as esferas: a) impedir qualquer conduta, prática ou atitude que incentive, prolifere ou constitua racismo; b) tomar todas as medidas cabíveis e possíveis para a erradicação de tal prática. É disto que se trata, neste momento. Não de ignorar sua existência para não desfazer a “coesão social”, mas sim de reconhecer a necessidade de combater uma grave violação de direitos humanos de parcela significativa da população. Antes que “Terra Brasilis”, a indicar uma origem europeia direta de Roma, o Brasil é muito mais “Pindorama”, parte integrante de Abya Yala ( nome dado ao continente pelos povos indígenas) e também da “Améfrica”, o espaço geopolítico que, sem negar as raízes africanas, resgata a experiência fora da África como central no processo de diáspora.

É necessário reconhecer que o racismo é uma realidade da sociedade brasileira e tanto mais perverso quanto mais “cordial” e “ameno” é considerado, e que o fim do processo colonial não significou sua abolição, mas sim a manutenção por meio de um “colonialismo interno”, em que os descendentes de europeus reproduzem os mesmos padrões em relação ao “outro”, ao “diferente.” Esta luta anticolonial e antirracista é dolorosa. Afinal: Onde você guarda o seu racismo? Não guarde, jogue fora! Este é o grande desafio que a discussão de um livro publicado na década de 30 põe de forma mais atual ainda.

se imagina não preconceituosa e “formadora de opinião”. Basta ver, inclusive, as poucas condenações judiciais para reprimir uma prática que a Constituição reputou crime inafiançável e imprescritível, ou mesmo que piadas de cunho evidentemente discriminatório seja vistas apenas como “de mau gosto.” Sem falar na “coincidência” entre violência policial e vitimização negra.

Terceiro, porque as críticas passaram ao largo da necessidade de discutir como implementar uma educação crítica, antirracista e descolonizadora, bem como trabalhar a “transversalidade” do ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. Aliás, exigências legais e constitucionais. Afinal, não dizia respeito à adoção e leitura de um livro? Uma resistência que é não somente em relação ao conteúdo, mas também ao próprio estatuto epistemológico destes conhecimentos. Do que se trata é, também, de uma luta por justiça social e histórica, aliada à “justiça cognitiva”.

Quarto, porque não se trata de importação de “politicamente correto”, nem de multiculturalismo “servil”. Tanto os movimentos indígenas quanto negros têm dinamizado o processo de reconhecimento da diversidade cultural, insistindo na plurinacionalidade, na interculturalidade e no constitucionalismo de nova feição, ao mesmo tempo em que vão ampliando a “gramática” dos direitos humanos, com a inclusão do “sumak kawsay” ( quéchuas e aimaras), da “amefricanidade” ( Lélia Gonzalez) e “quilombismo” ( Abdias do Nascimento). Novas visões de direitos humanos têm exigido um novo léxico para repensar as questões do nosso tempo. Ignorar esta rica discussão é continuar silenciando, invisibilizando e descartando como inovadoras e credíveis iniciativas destas comunidades, que conseguiram pressionar para que o processo constitucional incluísse demandas tanto no campo cultural ( arts. 215 e 216, CF), quanto no reconhecimento de sociodiversidade ( arts. 231- 232, CF e art. 68-ADCT). Não se trata, portanto, de “guetização” e autonomia de culturas, mas de uma nova articulação entre igualdade e diferença, superando o padrão hegemônico ( branco, ocidental, adulto, proprietário, masculino, heterossexual). É a continuação de uma luta contra todas as formas de racismo, sexismo e colonialismo; no caso da população negra, uma segunda ( ou verdadeira) abolição.

Momentos como este podem possibilitar uma reavaliação dos diversos tipos de racismos e preconceitos, seja contra índios, seja contra negros. A apologia da “mestiçagem” e mesmo da inexistência de “raças” não impediu- nem tem impedido- a prática do racismo constitucionalmente reprimida ( art. 5º, XLII, CF). É obrigação de todos os Poderes, em toda as esferas: a) impedir qualquer conduta, prática ou atitude que incentive, prolifere ou constitua racismo; b) tomar todas as medidas cabíveis e possíveis para a erradicação de tal prática. É disto que se trata, neste momento. Não de ignorar sua existência para não desfazer a “coesão social”, mas sim de reconhecer a necessidade de combater uma grave violação de direitos humanos de parcela significativa da população. Antes que “Terra Brasilis”, a indicar uma origem europeia direta de Roma, o Brasil é muito mais “Pindorama”, parte integrante de Abya Yala ( nome dado ao continente pelos povos indígenas) e também da “Améfrica”, o espaço geopolítico que, sem negar as raízes africanas, resgata a experiência fora da África como central no processo de diáspora.

É necessário reconhecer que o racismo é uma realidade da sociedade brasileira e tanto mais perverso quanto mais “cordial” e “ameno” é considerado, e que o fim do processo colonial não significou sua abolição, mas sim a manutenção por meio de um “colonialismo interno”, em que os descendentes de europeus reproduzem os mesmos padrões em relação ao “outro”, ao “diferente.” Esta luta anticolonial e antirracista é dolorosa. Afinal: Onde você guarda o seu racismo? Não guarde, jogue fora! Este é o grande desafio que a discussão de um livro publicado na década de 30 põe de forma mais atual ainda.

Escrito por: direito em 13 de janeiro de 2011

http://www.estadodedireito.com.br/2011/01/13/onde-voce-guarda-o-seu-racismo/

http://www.estadodedireito.com.br/2011/01/13/onde-voce-guarda-o-seu-racismo/

Onde Você Guarda o seu Racismo?

Onde Você Guarda o seu Racismo?

sábado, 15 de janeiro de 2011

Vídeo mostra discriminação racial em acesso na porta giratória do Itaú do Rio

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14/01/2011

Vídeo mostra discriminação racial em acesso na porta giratória do Itaú do Rio

Um vídeo produzido pela equipe do Núcleo Audiovisual do Circo Voador, no Rio de Janeiro, mostra um flagrante de discriminação racial no acesso da porta giratória com detector de metais da agência Glória do Itaú Unibanco, no Rio de Janeiro. O fato ocorreu no dia 9 de novembro de 2009. As imagens estão na Internet, com mais de 164 mil acessos, e o caso foi denunciado para a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Presidência da República. O flagrante O Circo Voador filmou dois jovens entrando no mesmo banco, com a mesma bolsa, em momentos diferentes. A mochila tinha chaves, celular e moedas. Primeiro, o produtor Lucas Louzada, 27 anos, de cor branca, entra com a bolsa no banco e atravessa a porta em menos de cinco segundos. Após sair da agência, o jovem MC Xackall, de cor negra, recebe das mãos de Louzada a mesma mochila e tenta ingressar na agência. A porta trava. O rapaz tira os objetos. A porta continua travada, Tira até a camisa para mostrar que não estava armado. A porta segue travada com a vigilante olhando. Depois de um minuto e trinta e três segundos, ele desiste e se retira da agência para não atrapalhar a filha que se formava do lado de fora. Veja o vídeo abaixo: Para o Circo Voador, "o método de segurança utilizado atualmente pelas agências bancárias é baseado no pré-julgamento do segurança, que possui o controle de trava das portas". A entidade carioca está circulando na internet o Manifesto Porta na Cara, onde propõe "a mudança da porta de segurança das agências para um sistema de Raio X ou um equipamento de segurança que realmente mostre os pertences que estão sendo conduzidos pelo cliente". Bancários combatem discriminações e defendem porta de segurança A Contraf-CUT recebeu cópias do vídeo e do processo em andamento e, após análise, encaminhou nesta semana um documento para a Ouvidoria da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. As imagens são chocantes e exigem medidas dos bancos e das empresas de vigilância para garantir igualdade de acesso para todos os clientes e usuários. "Nós afirmamos a luta histórica dos bancários contra toda e qualquer discriminação de raça, etnia, gênero e orientação sexual. Mais do que defender essa causa, vimos erguendo ano após ano a bandeira da Igualdade de Oportunidades, tendo sido uma das prioridades nas últimas pautas de reivindicações das campanhas nacionais dos bancários", destaca o secretário-geral da Contraf-CUT, Marcel Barros. "Defendemos a colocação da porta de segurança com detectores de metais em todas as agências e postos e criticamos a postura do Itaú Unibanco de retirar esse equipamento em inúmeras cidades do Brasil", aponta o secretário de imprensa e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr. "Avaliamos que essa porta foi decisiva na redução do número de assaltos, que ainda colocam em risco a vida de trabalhadores e clientes. Conforme estatística da própria Febraban, houve 1.903 ocorrências em 2000 e 430 em 2009". A porta giratória é um instrumento necessário para a melhoria da segurança das pessoas e, para que seja eficiente, precisam ser asseguradas três condições básicas: equipamento tecnicamente adequado e bem regulado; vigilantes treinados e requalificados; e clientes e usuários orientados sobre o seu funcionamento. Muitas vezes, esses procedimentos não são adotados pelos bancos, ocasionando transtornos, discriminações e até tragédias. "Também propomos a instalação da porta giratória antes da sala de autoatendimento, mas não na fachada externa e sim com um pequeno recuo para facilitar o acesso, onde deve ser colocado um armário de portas individualizadas e chaveadas para a guarda de objetos dos clientes", salienta Ademir. "Esse guarda-volumes é uma medida que já vem sendo praticada em algumas agências, contribuindo para evitar possíveis constrangimentos e agilizar o acesso de clientes, sendo que o custo desse móvel é insignificante diante dos lucros astronômicos dos bancos", conclui. Fonte: Contraf-CUT http://www.contrafcut.org.br/noticias.asp?CodNoticia=24907&CodSubItem=36

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O pecado de Thomas Sowell, artigo de Vânia Penha-Lopes

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Colóquio Internacional sobre Justiça Ambiental, Trabalho e Cidadania,

Este assunto está voltando. HA Realizações

SEMINÁRIOS Seminário sobre Sociedade, Estado e Meio Ambiente, em abril de 1995 com as seguintes mesas: Sociedade civil e meio ambiente no Brasil: representações, representatividade e organicidade: Samyra Crespo (ISER e MAST); Ângela Arruda (UFRJ), Selene Herculano (UFF), Sérgio da Rocha Souza (UFF); Territorialidade e terras indígenas: ação indigenista, Estado e controle de recursos naturais;projetos e estratégias territoriais conflitantes; relações interétnicas e territorialidade: Jurandyr Carvalho Ferrari Leire(UFRJ/MNA; José Maurício Andion Arruti (UFRJ/MNA) Sidnei Clemente Peres (UFF); Estado, Políticas Públicas e Meio Ambiente: Ronaldo Seroa da Motta (IPEA), Carlos Vainer (UFRJ/IPPUR), Marcelo Mello (UFF), Pedro Sanglard (Curadoria de Meio Ambiente de Magé); Turismo e Meio Ambiente: os grandes projetos turísticos, as Unidades de Conservação e as populações tradicionais: Vilmar Berna (coordenador de Meio Ambiente do mandato Carlos Minc- ALERJ), Raul Mazzei (Gerente de operações ambientais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro).

CapalivroQualidadedeVida.jpg (22721 bytes)Seminário Internacional sobre Qualidade de Vida e Riscos Ambientais, em 1996, juntamente com o Centro de Estudos de Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da Fundação Oswaldo Cruz, e com o apoio do CNPq e da CAPES, o que resultou em livro do mesmo nome, publicado pela EDUFF em 2000 (344 pgs.) Presença de: Frederick H. Buttel - Universidade de Michigan, EUA: Sociologia ambiental, qualidade ambiental e qualidade de vida: algumas observações teóricas; Henri Acselrad - UFRJ/IPPUR: Sustentabilidade e território; Franz J. Bruseke - UFPA A Técnica e os Riscos da Modernidade, segundo Heidegger; Michel Redclift - Universidade de Londres: Reavaliando o consumo: uma crítica às premissas da gestão ambiental ; Carlos Machado de Freitas - FIOCRUZ: Acidentes químicos ampliados, vulnerabilidade social e planejamento de emergências; Marcelo Firpo Porto - FIOCRUZ: Considerações sobre a dinãmica de regulação dos riscos industriais e a vulnerabilidade da sociedade brasileira; Enrico Quarantelli - Universidade de Delaware, EUA: Principais critérios para avaliar o planejamento de emergência e a gestão de desastres e sua aplicações nas sociedades em desenvolvimento; Selene Herculano - UFF: A Qualidade de Vida e seus indicadores ; Pedro Jácobi - USP: Problemas ambientais em São Paulo: o desafio da co-responsabilidade e da gerência inovadora na crise; Arthur P. J. Mol - Universidade de Wageninges, Holanda: A globalização e a mudança dos modelos de controle e poluição industrial: a teoria da modernização ecológica; Júlia Guivant - UFSC: Reflexividade na Sociedade de Risco: conflitos entre leigos e peritos sobre os agrotóxicos; Eduardo Viola - UnB: Globalização e Sustentabilidade nas Políticas Públicas Federais no Brasil; Ulisses Confalonieri - Fiocruz e UFF - Qualidade de Vida e Controle dos Riscos para a Saúde: o caso das mudanças ambientais globais.

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· Colóquio Internacional sobre Justiça Ambiental, Trabalho e Cidadania, de caráter pan-americano, em setembro de 2001, em conjunto com a FASE, o Movimento Brasil Sustentável e Democrático, o Centro de Estudos de Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da FIOCRUZ, o IPPUR da UFRJ e a CUT-CNMA, com o patrocínio da FAPERJ e da Fundação Ford, e que redundou na criação da Rede Brasileira de Justiça Ambiental e seus Centros de Referência, além de uma declaração nacional, da qual o LACTTA é signatário. Presenças de: Kenneth A. Gould, St Lawrence University- EUA;Robert D Bullard, EJRC, Clark Atlanta University – EUA; J. Timmons Roberts, College of William and Mary- EUA; Henri Acselrad UFRJ/IPPUR - RJ, Brasil; Carlos Machado de Freitas, FIOCRUZ/ENSP/CESTEH - RJ, Brasil; - Adeline Levine, Prof. Emeritas da State Univ. of New York at Buffalo (SUNY)- EUA; Murray Levine, Center for Health and Environmental Justice (CHEJ)- EUA; Ney Santos Oliveira, UFF/FAU- RJ, Brasil; Fernanda Giannasi, Rede Virtual-Cidadã pelo Banimento do Amianto - SP, Brasil; Che Lopez, Union de Trabajadores del Suroeste,San Antonio (SWU)- EUA; José Helio Meca, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)- Brasil; Beverly Wright, Deep South Center for Environmental Justice (DSCEJ) at Xavier University of Louisiana, New Orleans-EUA; - Marcelo Firpo de Souza Porto, FIOCRUZ/ENSP/CESTEH - RJ, Brasil; - Selene Herculano, UFF-RJ,Brasil; Carlos Surroca, EDES-Uruguay Sustentable – Uruguai; - Carlos Bocuhy,Conselho Estadual do Meio Ambiente-SP, Brasil; José Contreras Castilhos, Movimento em Defesa da Vida do ABC e Grupo Ecológico Salve o Tamanduateí – Brasil; Cristina Hurtado, Instituto de Ecologia Política / Chile Sustentable – Chile; Alfredo Wagner – PA,Brasil; Antônio Cuba, Pastoral da Juventude Rural – Brasil; Eduardo Paes Machado, UFBA – Brasil; Samuel Karajá, Coalizão Rios Vivos- Brasil; - Temístocles Marcelos Neto, Executiva Nacional da CUT(Central Única dos Trabalhadores); João Carlos Gomes, Assoc. de Consciência à Prevenção Ocupacional – SP, Brasil; Salvador Alves de Oliveira, Sindicato dos Petroquímicos de Caxias – Brasil; Juvenil Nunes da Costa, Sindicatos dos Químicos do ABC - SP, Brasil; Valdomiro dos Santos Pereira Filho, Sindicato dos Petroleiros de Santos - SP, Brasil; - José Augusto Pádua, Brasil Sustentável e Democrático e UFRRJ/CPDA - Brasil; Paulo Roberto Martins, CUT/CNMA – Brasil; Carlos Vainer, UFRJ/IPPUR - RJ,Brasil; David Camacho, Northern Arizona University – EUA; Marcelo Paixão, UFRJ – RJ, Brasil.

I Seminário Brasileiro contra o Racismo Ambiental, realizado em novembro de 2005, em parceria com a FASE/Projeto Brasil Sustentável e Democrático.

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I Seminário Brasileiro contra o Racismo Ambiental "gerou o livro do mesmo nome (visitar o sitewww.fase.org.br)"

PALESTRAS

A luta pela terra no Vale do Acre-Purus: a transformação do seringueiro cativo em liberto (1964-95), Professora Benedita Maria Gomes Esteves (UFAC e doutoranda em História ela UFF). Em 17 de maio de 1995.

O Movimento dos Atingidos pelas Barragens da Bacia do Rio Uruguai e a ação político-educativa dos mediadores, Profa. Maria Stella Marcondes de Moraes (UFF/Fac. de Educação). Em 26 de junho de 1995.

Estado, Políticas Públicas e Meio Ambiente no Brasil, Prof.Marcelo Mello (UFF). Em 30 de agosto de 1995.

Os processos de globalização na Amazônia, Profa. Marilena Correa da Silva (UFAM e entãodutoranda pela PUC/SP. Em 29 de novembro de 1995.

The emergence of Environmental Sociology: paradigmatic implications. Prof.Riley Dunlap, Washington State University, EUA e Presidente do Comitê de Pesquisa Meio Ambiente e Sociedade - RC-24 da Associação Internacional de Sociologia. Em 28 de novembro de 1995.

Políticas Públicas e Mediadores Sociais, Profa. Delma Pessanha Neves (UFF). Em 23 de maio de 1996.

Análise social de riscos ambientais, Prof. Carlos Machado de Freitas (FICRUZ), em 13 de junho de 1996.

A percepção de riscos em Angra dos Reis: o caso da Usina Nuclear, Profa. Gláucia de Oliveira Silva (UFF), em novembro de 1996.

Políticas Ambientais na Europa: avaliação de impactos ecológico e social em novos projetos de desenvolvimento; avaliação da política de resíduos urbanos. Profª Mercedes Pardo, da Universidade Pública de Navarra – Espanha, em 29 de outubro de 1998. Biotecnologia e organismos geneticamente modificados. Mark Mansour (Food and Drug Administration – EUA) e Lavínia Pessanha, doutora pelo CPDA (Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Em 30/09/2004. Consumo sustentável: limites e possibilidades de politização e ambientalização do consumo. Profª Drª Fátima Portilho (UFF) – 17 de novembro de 2004 Marx com Espinosa: um diálogo necessário. Maurício Vieira Martins, em 25/07/2006.

http://www.uff.br/lacta/realizacoes.htm