quinta-feira, 6 de maio de 2010

Propaganda enganosa em novo dilema racial

SOCIEDADE Propaganda enganosa em novo dilema racial Levantamento mostra que a participação de afrodescendentes em peças publicitárias cresceu de 3% para 13% em 20 anos, mas elas ainda apresentam os modelos de forma estereotipada, como o atleta ou o artista exótico
  • Renata Mariz
  • Carlos Silva/Esp. CB/D.A Press
    Eduardo, modelo: “Muita gente liga e pergunta: ‘você que é o negro’?”
    Mal desfez o casamento com um homem que a impedia de trabalhar, a personagem de Taís Araújo na novela Viver a vida, da Rede Globo, já voltou à ativa. Na trama, a modelo internacional não para de receber convites para fotos e desfiles. A vida real, porém, é bem diferente da trajetória de Helena, a primeira protagonista negra de uma novela das oito. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que a proporção de profissionais de pele escura na publicidade brasileira saltou de 3% para 13% num período de 20 anos. E os papéis representados nas peças ainda se restringem, em quase metade dos casos, a estereótipos clássicos, como o trabalhador braçal, a mulata sexualizada ou o carente social. Os dados foram coletados pelo pesquisador Carlos Augusto de Miranda e Martins durante seu trabalho de mestrado no Núcleo de Estudos Interdisciplinares do Negro Brasileiro, ligado à Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Ele avaliou todas as peças publicitárias de 1985 a 2005 na revista Veja — escolhida por ter alta arrecadação com anúncios. “Não posso deixar de reconhecer que houve um avanço, só que muito tímido, em relação à presença dos negros. Mas a imagem depreciativa apresentada continua colaborando para a naturalização do preconceito. É o atleta com a mensagem clara de que a habilidade do negro se restringe a funções ligadas à força física ou o artista exótico, de cabelo trançado e roupas excêntricas”, lamenta Martins. A pesquisa aponta que, no período analisado, os anúncios com estereótipos clássicos diminuíram de 75% para 43%, enquanto a publicidade tida como neutra, por não apresentar contexto, subiu de 12% para 50%. “Note que esses dois movimentos culminam na queda da proporção das peças com abordagem positiva, de 13% para 7%”, afirma. Para Martvs Antônio Alves, subsecretário de ações afirmativas da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, a publicidade ainda tem uma “visão racista”. “Não passa de falácia quando os produtores do setor afirmam que não há negro no mercado de trabalho”, diz. A Associação Brasileira de Agências de Publicidade foi procurada, mas não retornou as ligações do Correio. O Estatuto da Igualdade Racial, um marco regulatório atualmente estagnado no Senado Federal, previa reserva de 20% para negros em programas de televisão e peças publicitárias. Um acordo na Câmara para garantir a aprovação do projeto, entretanto, retirou o item do texto. Para o frei David Santos, diretor executivo da Educafro, a alteração representou um retrocesso no tema. “A negação do negro, do indígena, do diferente na publicidade é latente e difícil de ser combatida”, afirma. Segundo Santos, as poucas mudanças que ocorreram são decorrentes das pressões(1) feitas pelo movimento negro. Para o carioca Eduardo Nascimento, 23 anos e há cinco em Brasília, o fato de ser negro restringe seu trabalho às vezes. O modelo conta que, de fato, a maior parte das oportunidades de trabalho é para brancos. Mas quando o requisito é o contrário, ele se dá bem. “Logo lembram de mim. Muita gente liga e pergunta: ‘você que é o negro’?”, afirma, bem-humorado. Entre campanhas promocionais, desfiles, fotos e vídeo, Eduardo enxerga uma tendência de maior procura pelo seu perfil. “Vejo que muitas vezes querem diversificar.” Um reflexo histórico e o preconceito, na avaliação de Zulu Araújo, são os principais fatores da pequena participação do negro na publicidade. “Apesar de termos uma variedade de povos, parte significativa da população identifica o belo no perfil do eurodescendente. Não deixa de ser uma consequência do passado de escravidão”, diz o presidente da Fundação Cultural Palmares. The new black Motivado pela Educafro, uma rede de cursos pré-vestibular para pessoas negras e carentes, o Ministério Público firmou com os organizadores da São Paulo Fashion Week, no ano passado, um acordo para que 10% dos modelos do evento fossem negros. Inspirado nessa iniciativa, o Ministério Público do Trabalho, no Distrito Federal, abriu um processo de investigação para verificar se há preconceito no mercado da moda brasiliense. Algumas audiências com pessoas do setor já foram realizadas. Ouça trechos da entrevista com o pesquisador Carlos Augusto de Miranda e Martins

    quarta-feira, 5 de maio de 2010

    Vadiagem e mendicância

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    Vadiagem e mendicância

    Ligar o modo marca-texto

    Elaborado em 07.2004.

    Higor Vinicius Nogueira Jorge

    Delegado de Polícia, membro da ACADPESP, diretor da ADPESP (08/09), membro fundador do INESP e especializando em polícia comunitária.

    "aos ricos, o favor da lei, aos pobres, o rigor da lei"

    JOSÉ RAINHA JÚNIOR – Líder do MST

    O Brasil tem um dos maiores índices de desigualdade social do mundo. Enquanto uma minoria concentra boa parte da renda e das riquezas do país, uma maioria fica a míngua, marginalizada, sem emprego, sem dignidade, sem perspectivas para o futuro, para essa maioria a palavra "esperança" é apenas mais um dos sonhos que os políticos tentam oferecer na época das eleições.

    Boa parte desses representantes do povo, eleitos democraticamente para oferecer soluções no sentido proporcionar garantias mínimas de uma existência digna aos cidadãos, não fazem a sua parte, pois, na maioria das vezes entorpecidos pelos encantos do poder esquecem do povo que os elegeu e passam a atuar unicamente no sentido de se manterem no poder.

    No que concerne a se manter no poder, a experiência tem demonstrado que uma das formas mais eficazes de continuar no poder é cultivar o povo na miséria, perpetuando um ciclo de clientelismo que torna os excluídos pela sociedade cada vez mais dependentes dos governantes. Essa forma de exercer o poder político nos faz recordar aquela canção do Caetano Veloso que dizia: "enquanto os homens exercem seus podres poderes morrer e matar de fome, e de raiva e de sede são tantas vezes gestos naturais".

    Nesse contexto, em razão da precária situação econômica de uma considerável parcela da população brasileira, alguns comportamentos tidos como criminosos ou contravencionais devem ser excluídos do ordenamento jurídico em razão do seu conteúdo retrógrado e injusto. As contravenções penais de vadiagem e mendicância são dois desses comportamentos.

    Esses dois tipos penais não são recentes tendo em vista que eram previstos no Código Criminal do Império de 1930.

    O artigo 295 do Código Criminal do Império descrevia o crime de vadiagem como aquele cometido nas hipóteses em que "não tomar qualquer pessoa uma ocupação honesta e útil de que possa subsistir, depois de advertida pelo juiz de paz, não tendo renda suficiente".

    O artigo 296 previa que praticava mendicância aquele que andasse mendigando:

    "1- Nos lugares em que existem estabelecimentos públicos para os mendigos, ou havendo pessoa que se ofereça a sustentá-los.

    2- Quando os que mendigarem estiverem em termos de trabalhar, ainda que nos lugares não haja os ditos estabelecimentos.

    3- Quando fingirem chagas ou outras enfermidades.

    4- Quando mesmo inválidos mendigarem em reunião de quatro ou mais, não sendo pai e filhos, e não se incluindo também no número dos quatro as mulheres que acompanharem seus maridos e os moços que guiarem os cegos."

    Atualmente as contravenções em discussão são inafiançáveis (art. 323, II do Código de Processo Penal) e estão previstas nos artigos 59 e 60 da Lei das Contravenções Penais, conforme reprodução abaixo:

    Vadiagem

    "Art. 59 - Entregar-se alguém habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho, sem ter renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência, ou prover a própria subsistência mediante ocupação ilícita:

    Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses.

    Parágrafo único - A aquisição superveniente de renda, que assegure ao condenado meios bastantes de subsistência, extingue a pena."

    Mendicância

    "Art. 60 - Mendigar, por ociosidade ou cupidez:

    Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses.

    Parágrafo único - Aumenta-se a pena de um sexto a um terço, se a contravenção é praticada:

    a) de modo vexatório, ameaçador ou fraudulento;

    b) mediante simulação de moléstia ou deformidade;

    c) em companhia de alienado ou de menor de 18 (dezoito) anos."

    Ao realizar pesquisas sobre decisões dos Tribunais a respeito do tema foi encontrada uma interessante decisão do Tribunal de Alçada Criminal do Estado de São Paulo que declara a inadmissibilidade da condenação do réu tendo em vista a ausência de prova da ociosidade habitual e do desemprego crescente que assola o País. Isso demonstra como na prática é difícil provar que o sujeito é habitualmente ocioso e a dificuldade de se conseguir um emprego no Brasil.

    VADIAGEM - Agente flagrado jogando "tampinhas" - Impossibilidade de conseguir ocupação devido ao crescente desemprego no País - Caracterização - Impossibilidade:

    96 - Inadmissível a condenação de réu que, após comprometer-se a buscar ocupação lícita, é flagrado jogando "tampinhas", pois além da ausência de prova da ociosidade habitual, e de reconhecer-se que com o desemprego crescente no País, revela-se problemático exigir-se de alguém que busque o trabalho.

    (Apelação nº 713.887/8, Julgado em 01/09/1.992, 4ª Câmara, Relator: - Walter Theodósio, RJDTACRIM 15/185)

    É interessante também reproduzir o conceito de vadiagem inserido em uma sentença do juiz Moacir Danilo Rodrigues da 5a Vara Criminal de Porto Alegre que, apesar de ter sido pronunciada em 27 de setembro de 1979, é tão recente quanto qualquer outra, tendo em vista que descreve quem são os únicos atingidos por esta injusta contravenção penal.

    Conforme o juiz, a vadiagem é "uma norma legal draconiana, injusta e parcial" destinada "apenas ao pobre, ao miserável, ao farrapo humano, curtido vencido pela vida. O pau-de-arara do Nordeste, o bóia-fria do Sul. O filho do pobre que pobre é, sujeito está à penalização. O filho do rico, que rico é, não precisa trabalhar, porque tem renda paterna para lhe assegurar os meios de subsistência. Depois se diz que a lei é igual para todos! Máxima sonora na boca de um orador, frase mística para apaixonados e sonhadores acadêmicos de Direito. Realidade dura e crua para quem enfrenta, diariamente, filas e mais filas na busca de um emprego. Constatação cruel para quem, diplomado, incursiona pelos caminhos da justiça e sente que os pratos da balança não têm o mesmo peso."

    O juiz afirma ainda que "na escala de valores utilizada para valorar as pessoas, quem toma um trago de cana, num bolicho da Volunta, às 22 horas e não tem documento, nem um cartão de crédito, é vadio. Quem se encharca de uísque escocês numa boate da Zona Sul e ao sair, na madrugada, dirige (?) um belo carro, com a carteira recheada de "cheques especiais", é um burguês. Este, se é pego ao cometer uma infração de trânsito, constatada a embriaguez, paga a fiança e se livra solto. Aquele, se não tem emprego é preso por vadiagem. Não tem fiança (e mesmo que houvesse, não teria dinheiro para pagá-la) e fica preso."

    No sentido de revogar essas absurdas normas previstas nos artigos 59 e 60 da Lei das Contravenções Penais encontramos o projeto de lei nº 5.799/01 de autoria do deputado federal Marcos Rolim.

    O deputado justifica o projeto de lei afirmando que "parece evidente que a simples pretensão de punir aqueles que a sociedade já condenou à exclusão social, à fome e ao desespero revela uma crueldade talvez insuperável em nosso ordenamento jurídico", de forma que os artigos 59 e 60 expressam "a insensibilidade social das elites dominantes". Segundo o deputado o Brasil "possui milhões de seres humanos vivendo à margem da própria idéia de direito" e conforme "critérios mais conservadores, são pelo menos, 32 milhões os brasileiros que habitam esse mundo de esquecimento, violência e desespero. Cada um deles, a rigor, pode ser enquadrado nas condutas que a maldade legislativa do século passado tipificou nesses dois artigos".

    Pelo exposto podemos concluir que a revogação dos artigos em discussão é absolutamente necessária. Um país que tem como valor fundamental a dignidade da pessoa humana (art. 1o, III da Constituição Federal) e que tem milhões de cidadãos sofrendo os efeitos marginalizantes do desemprego não pode punir uma pessoa por vadiagem tendo em vista a impossibilidade de se saber se o sujeito se entrega habitualmente a ociosidade porque não tem interesse em trabalhar ou se é mais uma das vítimas do desemprego proporcionado por este sistema capitalista selvagem em que vivemos. No mesmo sentido não é justo punir alguém por mendigar, pois os altos índices de desemprego impelem muitas pessoas a mendicância e também porque caso o sujeito esteja realizando esse ato no estado de necessidade não há contravenção em razão da existência de uma causa de exclusão de ilicitude (art. 24 do Código Penal).

    terça-feira, 4 de maio de 2010

    Seminário Nacional Sobre Tortura

    http://www.kikonascimento.com.br/tortura/html/programa.html

    cabeca

    Programa

    Terça feira - 04 de maio

    9h15 - Inscrições no local

    9h45 - Abertura:

    José Geraldo Sousa Junior Reitor da Universidade de Brasília

    Paulo Vannuchi Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

    Apresentação do Seminário:

    Maria Auxiliadora de Almeida Cunha Arantes Coordenadora-Geral de Combate à Tortura da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

    MESA I – Tortura: Uma visão histórica e social 11h15: Maria Victoria de Mesquita Benevides Soares - Universidade de São Paulo 11h55: Maria Eliane Menezes de Farias - Sub-Procuradora-geral da república - atuação em matéria criminal perante o STJ. Coordenador: Marco Antonio Barbosa - Presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Debate

    13h00 Almoço

    MESA II – Tortura: Uma visão jurídica e política 14h: Fábio Konder Comparato - Universidade de São Paulo 14h40: Paulo Abrão - Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça Coordenador: Fermino Fecchio Filho - Ouvidor Nacional dos Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Debate

    Lançamento da Campanha de Informação: Tortura é Crime Ministério da Justiça: Comissão de Anistia Secretaria de Direitos Humanos: Coordenação Geral de Combate à Tortura

    MESA III – Tortura: uma visão das ciências humanas 16h: Eugênio Aragão - Universidade de Brasília - Subprocurador-Geral da República, com atuação na cooperação jurídica internacional 16h40: Arthur Trindade - Universidade de Brasília - Coordenador do Núcleo de Estudos sobre Violência e Segurança da Universidade de Brasília. Coordenadora: Nair Bicalho de Sousa - Coordenadora do Núcleo de Estudos para a Paz e os Direitos Humanos da Universidade de Brasília. Debate

    ARTE SOLIDÁRIA Apresentação: Grupo Cultural do Grupo Tortura Nunca Mais do Paraná Narciso Pires, Carlos Logo, Walquíria Prochman

    Quarta feira - 05 de maio

    MESA IV - Painel: Grupos sociais vulneráveis à tortura 9h: Populações do meio rural - Paulo Maldos: Assessor Especial no Gabinete Pessoal do Presidente da República na interlocução com povos indígenas e movimentos sociais. 9h40: Populações Negras - Humberto Adami: Ouvidor da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. 10h20: Populações Urbanas - Joviniano de Carvalho Neto: Universidade Federal da Bahia; Grupo Tortura Nunca Mais da Bahia 11h: Populações em locais de privação de liberdade - Amparo Araújo: Secretária de Direitos Humanos e Segurança Cidadã da Prefeitura de Recife. 11h40: Movimentos Sociais no enfrentamento da Tortura - Carlos Gilberto Pereira: Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo. Coordenadora: Maria Salete Kern Machado: Vice-coordenadora do Núcleo de Estudos para a Paz e os Direitos Humanos da Universidade de Brasília. Debate

    13h – Almoço

    MESA V - Tortura: Uma visão da psicologia e da psicanálise 14h: Tânia Kolker: Membro do Grupo multidisciplinar de peritos independentes para a prevenção da tortura e da violência institucional da SDH. 14h40: Paulo Cesar Endo: Universidade de São Paulo Coordenadora: Janne Calhau Mourão: Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia. Debate

    MESA VI - Tortura: Experiências de atenção aos atingidos pela tortura 16h: Irmão José de Jesus Filho. Pastoral Carcerária - São Paulo 16h40: Vera Vital Brasil - Psicóloga clínico institucional, membro do Fórum de Reparação e Memória do Rio de Janeiro. Coordenador: Fernando Matos - Diretor do Departamento de Defesa dos Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Debate

    Encerramento: Nair Bicalho - Coordenadora do Núcleo de Estudos para a Paz e os Direitos Humanos da Universidade de Brasília. Erasto Fortes - Coordenador de Educação e Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

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    segunda-feira, 3 de maio de 2010

    Homem que insultou e cuspiu no rosto de uma mulher negra está preso

    http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1255720-7823-HOMEM+QUE+INSULTOU+E+CUSPIU+NO+ROSTO+DE+UMA+MULHER+NEGRA+ESTA+PRESO,00.html Globo Vídeos

    Homem que insultou e cuspiu no rosto de uma mulher negra está preso

    Sexta-feira, 30/04/2010

    O delegado responsável pelo caso compreendeu que ele cometeu o crime de injúria e ofensa moral com base em preconceitos. O caso aconteceu dentro de um ônibus que passava no final da Asa Norte.

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    domingo, 2 de maio de 2010

    A última instância das cotas raciais

    A última instância das cotas raciais

    02/03/2010 13:52:27

    Rodrigo Martins

    Políticas Sociais: O STF inicia a análise da ação do DEM contra a UnB A reserva de vagas para estudantes negros foi adotada em universidades públicas há ao menos dez anos, mas somente agora o debate sobre a adoção do sistema de cotas chegará ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Ricardo Lewandowski convocou uma audiência pública sobre o tema entre os dias 3 e 5 de março. Trata-se do passo inicial do julgamento de uma ação movida pelo Partido Democratas (ex-PFL) contra a Universidade de Brasília (UnB), que reserva 20% das vagas abertas em seu vestibular para estudantes negros, independentemente da classe social a qual pertençam. O resultado do julgamento, apostam especialistas, terá impacto sobre o sistema de seleção de todas as universidades públicas do País. Também pode acelerar ou contribuir para a derrocada das iniciativas parlamentares de criar um amplo sistema de cotas sociais e raciais nas universidades federais, uma discussão que patina no Congresso desde que as primeiras propostas do gênero foram adotadas por iniciativa das próprias instituições de ensino. Para os defensores da medida, a esperança é que os ministros do STF tenham o mesmo entendimento que a maioria dos magistrados da primeira instância e dos tribunais de Justiça, que consolidaram nos últimos anos uma jurisprudência favorável às cotas em vários estados brasileiros. É o que revela um estudo recém-concluído pelo Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). O estudo mostra que, em 2003, quando as universidades estaduais fluminenses adotaram o sistema de cotas, ao menos 400 mandados de segurança foram impetrados por alunos que perderam a vaga no ensino superior para alunos cotistas. Destes, 161 foram concedidos liminarmente pela Justiça. Mas, um a um, acabaram por terra. Em novembro do ano passado, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manifestou-se pelo mérito da questão: concluiu que as cotas eram constitucionais. “Com o tempo, todas as liminares foram cassadas e os estudantes pararam de contestar na Justiça o resultado do vestibular com base no ingresso dos alunos cotistas”, comenta o advogado Renato Ferreira, pesquisador da Uerj e responsável pelo estudo. “Este fenômeno não se restringe ao Rio. Ao adotar as cotas, a Universidade Federal do Paraná sofreu ao menos 140 ações do gênero. Hoje, os casos são raríssimos. O mesmo identificamos em Alagoas, na Bahia, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul. O Judiciário, tido como um poder conservador, está reconhecendo a legitimidade das políticas afirmativas.” Até o fim de 2009, ao menos 93 universidades adotavam algum tipo de cota. Entre elas, as que usavam algum tipo de recorte racial chegavam a 67. A advogada Roberta Fragoso Kaufmann, autora da ação do DEM contra o sistema de cotas da UnB, esclarece que o partido não questiona a legitimidade da reserva de vagas a alunos egressos de escolas públicas ou para estudantes de baixa renda. “Não somos contra as cotas sociais. O que contestamos é a inclusão de critérios raciais, o que abre um precedente perigoso de criação de leis no Brasil baseados na diferenciação pela cor da pele.” Pupila de Gilmar Mendes, Roberta Kaufmann foi orientada pelo próprio presidente do STF no mestrado sobre a necessidade de políticas afirmativas no Brasil. As cotas raciais encontram resistência mesmo entre representantes do Movimento Negro, como o advogado José Roberto Militão, integrante da Comissão de Assuntos Antidiscriminatórios da OAB-SP. “O Estado não deve legislar sobre o conceito de raça, porque, dessa forma, ele reconhece e outorga uma nova identidade jurídica, baseada na cor da pele, que viola a dignidade humana”, afirma. “As cotas legitimam a segregação racial. E, nessa esdrúxula hierarquia racial, os negros são vistos como inferiores, alvos prioritários da assistência. Isso é degradante, acaba com a autoestima dos jovens negros.” Para Fábio Konder Comparato, professor aposentado da Universidade de São Paulo, o sistema de cotas é um passo necessário para começar a reparar séculos de exploração e marginalização da população negra. “Os pretos e pardos representam 70% da faixa dos 10% mais pobres. Os trabalhadores negros recebem, em média, a metade do salário dos brancos. Além disso, 58% da população branca tem acesso ao Ensino Médio, ao passo que a participação dos negros é de apenas 37%”, comenta. “Isso significa que estamos descumprindo a Constituição, porque ela prevê a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades. E o Estado tem feito muito pouco para reduzir o abismo social que separa os negros dos brancos.” Segundo Comparato, é absurda a tese de que o sistema de cotas vai provocar ódio racial. “Justiça é tratar desiguais na medida da desigualdade. É por isso que a Constituição prevê, por exemplo, proteção às mulheres no mercado de trabalho. E ninguém diz que é uma Constituição sexista ou que promove a guerra dos sexos”, afirma. “Ainda se propagandeia essa falácia da democracia racial no Brasil, simplesmente porque o preconceito, aqui, é dissimulado, enrustido. Mas os dados que citei são de fontes oficiais. Isso é real.” Na avaliação do frei franciscano David Santos, fundador e presidente da ONG Educafro, que oferece cursos preparatórios para negros ingressarem na universidade, as cotas são medidas emergenciais, que devem durar de 10 a 15 anos. “Seu objetivo é o de despertar a sociedade para que se abra e execute a igualdade material, saindo da igualdade formal, que é mentirosa e sempre beneficiou um único segmento da nação”, afirma. “É uma reparação com o nosso passado escravocrata e com a marginalização dos negros até hoje.” O professor José Jorge de Carvalho, do Departamento de Antropologia da UnB, concorda com a avaliação. “Foi por entender que o racismo é crônico na sociedade brasileira e em todas as classes sociais que a UnB optou por oferecer cotas raciais. E, para comprovar o descompasso, basta observar alguns indicadores. Segundo o censo universitário de 2000, apenas 12% dos nossos alunos eram pretos ou pardos, apesar de os negros representarem mais da metade da população brasileira.” Mas por que cotas raciais, e não sociais? “Nesse mesmo ano identificamos 400 alunos que recebiam auxílio-moradia da universidade, justamente por serem mais pobres. Sabe quantos eram negros? Apenas dez”, explica Carvalho. :: Confira durante a semana entrevistas com defensores e opositores das cotas raciais http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=6144

    Brasileiros que dispensaram o patrão

    A vida sem patrão Brasileiros que dispensaram o patrão "Meu pai tinha o primário, mamãe também. Cada filho tinha uma responsabilidade", diz a empresária Suzi Clementino Niv. "Eu tinha a tarefa de tirar o leite da vaca e, na vizinhança, nós vendíamos o leite dessas vacas", complementa. Essa é a história da Suzi, que começou trabalhando por conta própria. Agora, junto da família, ela desfruta o sabor de tanto esforço. Ajudou a mãe a fazer roupa pra fora, foi representante de uma confecção. "Virei tipo uma "caixeiro viajante"!", lembra. Acabou abrindo uma pronta-entrega em Ipanema, bairro nobre do Rio de Janeiro. "Meu tio me emprestou um dinheiro. Em família de pobre, sempre tem alguém que tem um dinheirinho a mais. Então, aí ele falou assim: 'tudo bem, eu te empresto. Mas quando você vai me pagar?'. Aí eu falei assim: vai dar certo!”, lembra. Suzi aprendeu a ser chefe do próprio destino. Foi por necessidade, mas ela acabou gostando. "Vendi bem a confecção, a pronta-entrega. Virei dona de restaurante. O negócio prosperou e paguei o meu tio", orgulha-se a empresária. O que fez a menina que ajudava a mãe a costurar virar dona de restaurante?, perguntamos. "Acho que determinação e conhecimento. Acho que para você entrar em uma área, é preciso ter algum conhecimento. Aproveitei para estudar à noite, fiz a faculdade de Direito, fiz Gastronomia", diz. Essa é a receita que ela ensina aos jovens aprendizes. É a primeira turma de um projeto muito especial. Idéia da Susi. Professores voluntários e aulas de graça. Na cozinha emprestada do batalhão da Polícia Militar eles aprendem um novo ofício. Em breve, serão auxiliares de cozinha. Foram quase dois meses de preparação nesta cozinha até a turma ficar no ponto para enfrentar o mercado de trabalho. Eles, agora, querem colocar a mão na massa. E o sonho de ter a carteira assinada já está bem perto. Mas, no futuro, a maioria aqui não quer só um emprego. Eles querem ser "chefes". "Meu nome é Nerian. Meu objetivo é me tornar um confeiteiro da minha própria empresa", conta. "Meu nome é Jonatan. Eu pretendo ser um chefe de cozinha e ter meu próprio negócio", sonha o auxiliar de cozinha Jonatan Fiúza dos Santos. "Meu sonho é dar o meu sonho para a minha mãe e ajudar a ela ter o seu próprio negócio. Um restaurante, ou até um bar. Uma coisinha simples. Mas o meu sonho é ajudá-la", completa o jovem. Jonatan tem 21 anos. É o filho caçula de dona Iolanda Fiúza dos Santos. Mulata de sorriso fácil, olhos verdes de esperança. A baiana sempre trabalhou por conta própria. Cozinheira de mão cheia, fez das panelas o sustento da família. "É uma louca quando as pessoas ficam esperando a comida aqui”, conta Iolanda. "Falta dinheiro. Eu estou nesse espaço aqui, derivado da cozinha que explodiu. A panela de pressão que explodiu e as telhas foram pelos ares!”, diz a cozinheira. A crise não tira o brilho dos olhos de dona Iolanda. Desânimo não faz parte da receita dessa mulher que, como milhões de brasileiros, sempre quis ter o próprio negócio. "Eu tinha vergonha de carregar o angu, porque era num carrinho, carrinho de mão. Aquela panela cheia de coisa. Mas agora, quando lembro, sinto muito orgulho da minha mãe, uma coisa boa. Com a visão de um sonhador, jonatan já vê o futuro da família bem aqui, no meio do quintal". "Eu quero fazer um restaurante aqui embaixo, nesse espaço todinho e em cima fazer até umas quitinetes para alugar e para dar lucro para gente mesmo, porque o restaurante já vai dar", confia Jonatan. É a noite da formatura! Uma verdadeira prova de fogo para Jonatan e seus companheiros de turma. Chegou a hora de mostrar o que aprenderam no curso de auxiliares de cozinha. A menina Suzi, que virou dona de restaurante, agora investe tudo nesses rapazes. Ela venceu na vida, mas ainda é pouco. Realização, mesmo, é ver todos eles trabalhando, felizes. Nhoque aprovado. E diploma na mão! Palmas pra eles. Palmas para Suzi: uma trabalhadora de mão cheia! O espírito empreendedor do brasileiro "Vou contar a minha vida, os trabalhos que passei, sempre andando sozinho, mas eu não desanimei", canta um artista de rua. Dizem que o brasileiro não foge à luta! Será esse o tal espírito empreendedor? Fomos à Porta Alegre. Os números do IBGE mostram que essa é a capital brasileira com o menor índice de pessoas desempregadas. Mas o mercado formal de trabalho não é suficiente. Até aqui, é preciso lançar mão da criatividade. Os dados são da pesquisa mensal do emprego. Equipes espalhadas pelas seis principais regiões metropolitanas do país saem a campo todos os dias. "Não é por opção. Na verdade, eles queriam trabalhar como trabalhadores formais, com a carteira assinada", constata a supervisora da pesquisa do IBGE Carla Costa. Em todo o Brasil, 19% da população trabalha por conta própria. A maioria, no Nordeste do país. "Ainda é uma parcela grande da população. Na verdade, o trabalhador por conta própria, ele é representado na sua maioria pela baixa qualidade do emprego. Ou seja: é o subemprego", explica o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo Pereira.. "Todos esses trabalhos também não foram o fim. Digo isso com orgulho, foi uma honra pra mim", canta o artista. No mercado em Porto Alegre, onde se encontra de tudo, carteira de trabalho assinada é artigo raro. Folhas em branco, mas um currículo cheio de experiência nas ruas. É aqui que uma multidão de brasileiros ganha a vida. Sem registro, sem contrato, sem garantias e sem patrão. Mas, afinal, quem são e onde estão os trabalhadores que abrem mão desse documento? Para responder a essa pergunta, alunos e professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, da Puc de Porto Alegre e do Mackenzie, em São Paulo, elaboraram uma pesquisa exclusiva para o Globo Repórter. Quase mil pessoas foram entrevistadas durante duas semanas. De ambulantes a empresários, de trabalhadores de rua a donos de estabelecimentos comerciais. O empreendedor não é apenas aquele que tem uma empresa formal. O empreendedor é aquele que decide ser senhor ou senhora do seu próprio destino. E resolve fazer isso através de um negócio no qual ele vai gerenciar e vai pensar o seu próprio negócio. Então, essa definição é muito mais ampla. Ela vai além da própria renda. Verificando aqueles que ganham menos dois salários mínimos e aqueles que ganham mais de 10 salários mínimos, nós encontramos o comportamento empreendedor em todas as categorias e todas as faixas de renda", diz o professor de economia da UFRGS Flávio Comin. Necessidade ou opção? O que motiva o brasileiro a bancar o próprio negócio? Os dados dessa pesquisa revelam: para 22% dos entrevistados em Porto Alegre é o desemprego. Mas, em segundo lugar, quase empatada com 18%, vem a liberdade. “Eu sou feliz e gosto do que eu faço",conta o violeiro Carlinhos Azambuja. Em São Paulo, o desemprego fala mais alto: para 33%, é a motivação principal. Nem por isso, os paulistanos deixam de lado o desejo de liberdade. Quase 13% preferem ser autônomos. "Quer tomar sopa? Olha a sopa!!!!! Há dez anos, dona Edna Rocha da Silva puxa o carrinho pelas ruas de São Paulo. "Todo dia fico com esse sorriso no rosto", conta a vendedora. A sopinha dela é ótima! No inverno, tem sopa quentinha. No verão, suco gelado. "Eu falo assim: não gosto de ser mandada por ninguém", diz a vendedora. Na história dessa mulher trabalhadora, liberdade rima com lucro. De copo em copo, o caldinho caseiro sustenta dois filhos e já deu até para comprar casa e carro! Mas a independência tem preço. Mãos calejadas, a vida no fio da navalha, longas jornadas de trabalho. É puxado. Tem que ter raça e ser teimoso", conta o vendedor Adílson Antônio Padilha. "Estou levando a minha vida, que aqui é mais uma parte. Trabalhei em lancheria e também fui engraxate", canta o artista. "Não tem patrão, não tem nada. Eu sou meu patrão. Eu faço meu movimento, eu mesmo administro a minha firma. Eu sou o administrador de empresa. Sinto-me assim administrador, pois sei comprar e vender meu produto", pondera o engraxate João Guilherme dos Santos. De domingo a domingo, a sapataria funciona na Praça da Sé: endereço comercial de João Guilherme, o Madureira. O engraxate cursou três anos de matemática na faculdade. Foi bancário, escriturário. "Em 1989, eu pedi demissão. Trabalhava bonitinho, engravatadinho e duro. Importante é você estar sujo aqui, mas se precisar de 10 contos eu tenho no bolso", argumenta João. Deixou a carteira de trabalho de lado e preferiu a batalha nas ruas. "Não me considero um guerreiro. Sou um cara normal. Um trabalhador, como qualquer outro trabalhador", completa. http://grep.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-11094-4-179624,00.html

    Brasil sediará fórum pelo fim da discriminação étnica

    Brasil
    Brasil sediará fórum pelo fim da discriminação étnica

    Agência Brasil

    Publicação: 02/05/2010 13:10

    No fim deste mês, o Rio de Janeiro (RJ) será o centro de uma série de discussões que dominam os debates na comunidade internacional. Em pauta, o tratamento discriminatório a muçulmanos e latinos nos países desenvolvidos, além da busca de um acordo de paz que encerre o impasse entre palestinos e israelenses. É o 3º Fórum Mundial da Aliança de Civilizações, que será realizado de 27 a 29 de maio no Museu de Arte Moderna (MAM). "A ideia é buscar a definição de metas e concretização de ideias que funcionem como prevenção à violência e a eventuais conflitos futuros", disse o coordenador do fórum, embaixador José Augusto Lidgren Alves. "Com isenção e equilíbrio, é possível concluir que as culturas desejam o mesmo ¿ ser respeitadas. O antagonismo pode ser bom, mas é fundamental acabar com estereótipos". Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Evo Morales, da Bolívia, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Kin-moon, e o primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, são algumas das autoridades esperadas para os debates. Delegações de 105 países e 15 organizações não governamentais já confirmaram presença. "O objetivo é definir ações concretas nos campos político e social nas áreas de juventude, educação, mídia e imigração", disse o embaixador. "A iniciativa é permanente e existe há seis anos. Mas desde 2008 ficou decidido que uma vez por ano deve haver uma reunião geral". Em meio aos debates na Europa - França, Bélgica e Itália - a proibição dos trajes femininos muçulmanos e as queixas das comunidades latinas em vários países desenvolvidos deverão dominar as discussões. Segundo Lidgren Alves, a preocupação das autoridades é que determinadas ações isoladas levem a um conflito de grandes dimensões e de difícil controle. "As diferenças podem se traduzir em conflitos e estes conflitos podem se tornar ainda mais intensos em decorrência de fanatismos e violência", afirmou o embaixador brasileiro. "Durante os debates, no Rio, serão discutidos projetos comuns que podem minimizar essas reações buscando o envolvimento ainda maior dos países das Américas do Sul e Central http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/05/02/brasil,i=190019/BRASIL+SEDIARA+FORUM+PELO+FIM+DA+DISCRIMINACAO+ETNICA.shtml